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Um conto de Mané

31/05/2011

Poucos clubes no mundo podem se dar ao luxo de escrever capítulos inteiros na história de suas seleções e aqui no Brasil, o país do futebol por excelência, apenas Santos e Botafogo têm essa honra. No Mundial de 1962, no Chile, a Seleção Canarinho já não era uma novidade e os feitos de Pelé e Garrincha assombravam o mundo da bola desde a vitória incontestável na Suécia, em 1958. Defendendo o título mundial e recheada de craques, a nossa seleção desembarcou em terras chilenas com a responsabilidade de repetir o bom futebol apresentado quatro anos antes.

Imarcável!!! Será esse o tal de Flowers? Mané não quis nem saber!

Já li e ouvi esse conto diversas vezes, mas nunca tão bem narrado quanto no livro de Nilton Santos, “Minha bola, Minha vida”, da editora Gryphus. Não à toa, é claro. Devemos lembrar que Nilton sempre esteve nas conversas dos amigos Sandro Moreyra e Armando Nogueira – onde um deveria contar “um causo” melhor do que o outro! Sem Pelé, machucado na segunda partida, o Brasil iria encarar a forte Inglaterra. Sandro Moreyra resolveu provocar Garrincha dizendo que o lateral inglês, Flowers, numa entrevista, dissera que o Mané não iria passar por ele de jeito nenhum. Garrincha ficou invocado e foi pedir conselhos para Nilton Santos:

– Nilton, o lateral deles disse que eu não era de nada!

– Ah, então ele nunca te viu jogar.

– Viu sim. Eu queria acabar com ele, mas não sei quem ele é.

– Acabe com todos os ingleses porque cada um deles pode ser o tal de Flowers!

O hilário diálogo entre os amigos resultou num dos maiores passeios da história da Copa do Mundo! Nilton Santos continua:

Garrincha ficou endiabrado. Dribles e mais dribles no time todo da Inglaterra. Dizem que o Aimoré ficou desnorteado no banco quando via o Mané correr por todo o campo a driblar todo mundo. Pedia a ele pra voltar para a ponta, segurando assim o zagueiro inglês. Ele não ouvia, continuava a fazer o seu carnaval. Marcou até gol de cabeça nesse jogo. Vavá fez um gol, sobra de bola de um chute violento do Mané em cima do goleiro. Depois, com um passe de Amarildo, encerrou o placar. Ali, Mané foi batizado de ‘O Anjo das Pernas Tortas’, que enlouquecia todas as defesas e fazia o Brasil acreditar ser impossível não sermos bicampeões.

De fato, mesmo sem Pelé, Mané acabou com os adversários e trouxe o caneco para casa. Leia o livro de Nilton Santos. Essa e outras histórias incríveis do nosso futebol estão lá, apenas esperando para serem redescobertas.

Vamos, FOGO!

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Procura-se torcedor!

13/04/2011

O Botafogo de Futebol e Regatas, com sede em General Severiano, no Rio de Janeiro, procura torcedores que estejam dispostos a apoiar e amar um clube de futebol que já foi responsável direto por três títulos da Seleção Brasileira em Copa do Mundo, a saber, 1958, 1962 e 1970. Outros atrativos do pacote básico: conhecer a história de grandes craques do futebol mundial que atuaram pelo alvinegro como Nilton Santos, Mané Garrincha, Didi, Manga, Zagallo, Amarildo, Quarentinha, Jairzinho, Paulo César Lima, Gérson, Rogério e Roberto Miranda. Para os torcedores mais fanáticos temos a opção de ídolos recentes como Maurício, Paulinho Criciúma, Josimar, Valdeir, Gottardo, Gonçalves, Vágner, Sérgio Manoel, Donizete e Túlio Maravilha.

A diretoria do Botafogo não promete adiantamento de vencimentos, ou seja, os títulos podem demorar um pouco, mas apresenta uma bela sede social, no Palacete de General Severiano, na zona sul carioca, e atletas dispostos a honrar as tradições da Estrela Solitária, mas dentro do apertado orçamento que o clube dispõe. Não garante milagres e nem a compra da arbitragem – que historicamente sempre atrapalha a equipe. Só pede que esse “novo” torcedor vá para o moderno Estádio Olímpico João Havelange com a intenção de apoiar e torcer pelo time do coração! O Botafogo não precisa de vaias e apupos dentro de sua própria casa!

Ao contrário da torcida, Loco Abreu acreditou no lance e fez o gol de empate!

Esse novo torcedor já teria sido muito importante hoje, no primeiro mata-mata das Oitavas de final da Copa do Brasil. O Avaí atuou como se estivesse em campo neutro e voltará para Santa Catarina sem sentir “a pressão de jogar no Rio”. Os jogadores do Botafogo irão até a Ressacada felizes! Irão jogar longe dos palavrões e insultos de sua própria torcida e quem sabe até podem voltar com a classificação na bagagem. É certo que precisarão de um padrão tático e de muito inspiração para reverter a vantagem catarinense, mas longe do Engenhão e dessa terrível torcida tudo pode acontecer, até milagres…

Caio Júnior conferiu bem de perto o drama que Joel Santana viveu em 14 meses no banco de reservas alvinegro. Aos 13 minutos de jogo, João Filipe erra um passe bobo e o mundo desaba no estádio! Parte da torcida inicia inacreditáveis gritos de “Cuca! Cuca!” Como assim? O elenco é fraco e jogava na retranca no esquema Papai Joel, a torcida não gostava e clamava pela demissão do folclórico treinador. Caio Júnior chegou para mudar esse panorama, mas com os mesmos jogadores e os torcedores, muito inteligentes, acham que essa mudança será feita com varinha de condão… Parecido não é igual e Caio Júnior não é o Harry Potter!

Não é camisa 10! Everton não é articulador de jogadas e sim meia-atacante!

O João Filipe ficou nervoso com as vaias e atrapalhou toda a defesa no lance do segundo gol; o Antônio Carlos se perdeu com os erros do companheiro de zaga; o Alessandro voltou a ser sistematicamente vaiado a cada toque na bola; o Márcio Azevedo não se apresenta ao ataque com medo de ser xingado pela torcida e o Caio Júnior foi pressionado a mexer no time e acabou se enrolando todo nas substituições. É tudo culpa do torcedor? Claro que não, mas como dizem os norte-americanos, é “Fifty-fifty”.

O Tottenham foi eliminado pelo Real Madrid, na Liga dos Campeões, perdendo os dois jogos e mesmo assim o torcedor que lotou o White Hart Lane cantou e apoiou o time o tempo inteiro, do apito inicial ao apito final! Os jogadores ingleses, em retribuição, correram os noventa minutos, suaram a camisa, tentaram de tudo, mas não conseguiram vencer em casa, no jogo da volta. Claro que a superioridade de Cristiano Ronaldo & Cia era evidente, mas o torcedor compareceu em peso e incentivou o Tottenham mesmo em desvantagem! Pena ser tão caro importar torcida com cotação em Euro…

Vamos, FOGO!

Que sufoco! Cortês já pediu protetores de ouvido para jogar em paz!

Copa do Brasil

Oitavas de Final – Jogo 01: Botafogo 2 x 2 Avaí (13/04/2011)

Botafogo: Jefferson, Alessandro (Somália), João Filipe, Antônio Carlos e Márcio Azevedo (Cortês); Marcelo Mattos, Arévalo Ríos, Everton e Caio; Herrera (Lucas) e Loco Abreu

Técnico: Caio Júnior

Avaí: Renan, Felipe (Acleisson), Gian, Cássio e Julinho; Diogo Orlando, Marcinho Guerreiro, Bruno e Marquinhos Gabriel; Willian (Evandro) e Rafael Coelho (Fabiano)

Técnico: Silas

Gols do Botafogo: Herrera, aos 22, e Loco Abreu, aos 45 minutos iniciais

Gols do Avaí: Willian, aos 13, e Rafael Coelho, aos 21 minutos do 1º tempo

Local: Engenhão (RJ) / Público: 5.574 presentes / Renda: R$ 77.400,00

Árbitro: Fabrício Neves Correa

Cartão Amarelo: Gian, Cássio, Juninho, Diego Orlando (Avaí), Marcelo Mattos e Antônio Carlos (Botafogo)

Olé! E o fim da invencibilidade!

24/02/2011

O Botafogo entrou em campo como uma equipe pequena e por isso conheceu a primeira derrota da temporada. O Botafogo jogou como um time medíocre e por isso sofreu um gol aos 41 minutos do segundo tempo. A tão propagada “ofensividade do Joel Santana” não passou de balela, já que a escalação mostrava três volantes para segurar o inexistente ataque do poderoso River Plate de Sergipe!

O desenho no decorrer da etapa inicial revelou que Rodrigo Mancha foi obrigado a recuar para compor a zaga, e o pior, era visível a amarra nos laterais Alessandro e Márcio Azevedo. Renato Cajá foi obrigado a carregar a armação de jogadas nas costas, sozinho, e outra vez não deu conta do recado. E quem daria?

É verdade que o ataque funcionou com boas tabelinhas e Loco Abreu perdeu quatro chances de gol que resolveriam a partida e deixariam essa crônica bem mais leve e feliz! Herrera ainda não se recuperou totalmente, mas fez boas jogadas que poderiam ter resultado em gol. No meio do jogo a pergunta que não quer calar: “Onde está o Everton?” É impressionante como o Joel se apega aos jogadores mais antigos e teima em não dar chance aos novos contratados. O Renato Cajá não acerta escanteio, não consegue levantar uma bola alçada na área e deixa a impressão de que o gol contra o Fluminense fora obra do acaso.

Loco Abreu, Herrera e Antonio Carlos fizeram muitos gols de cabeça no ano passado em jogadas do Lucio Flavio, mas depois da saída do questionado meia é raro ver uma bola levantada com categoria. No jogo de ontem foi uma tragédia! Alessandro, Márcio Azevedo e Renato Cajá irritaram os torcedores com batidas ridículas e inofensivas. O meio de campo alvinegro é “Terra de Ninguém”, já que Joel é incapaz de fixar dois meias ofensivos e dois volantes sem invenções ou improvisações.

Herrera correu, perdeu gols, brigou e levou um cartão amarelo!

O que mantêm o Somália titular do Botafogo? Qual o segredo para que ele nunca seja substituído? Ontem o Joel fez apenas duas trocas e deixou os jogadores mofarem no banco de reservas. O Márcio Azevedo pode não ser o melhor lateral-esquerdo do Brasil, mas sempre tenta a linha de fundo e busca cruzar as bolas para a dupla Abreu e Herrera. O que faz o Joel? Saca um lateral de ofício e improvisa o “filhinho do Papai” por ali, todo torto e desengonçado! Com a bola no pé o Somália vai para o lado do campo e o Everton cai pelo meio, já sem a bola é o contrário e o resultado é uma embolação total e ninguém sabe onde fica quem!

Os jogadores estão insatisfeitos, os torcedores estão insatisfeitos e para piorar o Joel decidiu cortar a sagrada folga de domingo! Com essa atitude ele deixa claro que a culpa é do elenco e não dele! Não vou estranhar se o Botafogo for eliminado já na Primeira Fase da Copa do Brasil. Ah, e o gol do poderoso River Plate de Sergipe? Os sergipanos tocaram a bola por um minuto e cinco segundos antes da conclusão!

Os torcedores gritaram um Olé! de um minuto e depois comemoraram o gol! Ironia? Não. Tem coisas que só acontecem com o Botafogo! Foi numa partida contra o River Plate da Argentina, no México, que surgiu o grito de Olé! para o futebol mundial! Mané Garrincha deu um baile no lateral Vairo e os mexicanos responderam com o famoso grito das touradas: Olé! Olé! Olé!

Vamos, FOGO!

Coloquei essa foto só para dar uma levantada na moral da crônica...

Copa do Brasil:

Primeira Fase – Jogo 01: River Plate-SE 1 x 0 Botafogo (23/02/2011)

River Plate-SE: Max, Glauber, Bebeto, Váldson e Pedrinho; Wallace, Fernando Pilar (Lucas), Bruno Ramos e Éder (Fábio Junior); Bibi (Claudinei) e Bebeto Oliveira

Técnico: Aílton Silva

Botafogo: Jefferson, Rodrigo Mancha, Antônio Carlos e Márcio Rosário; Alessandro, Somália, Bruno Tiago, Renato Cajá (Caio) e Márcio Azevedo (Everton); Herrera e Loco Abreu

Técnico: Joel Santana

Gol do River Plate-SE: Bebeto Oliveira, aos 41 minutos do segundo tempo

Local: Batistão (SE) / Público: 14.000 presentes

Árbitro: Marielson Alves Silva (BA)

Cartão Amarelo: Bibi, Bruno Ramos, Váldson e Bebeto Oliveira (River Plate), Somália, Herrera, Márcio Rosário e Antônio Carlos (Botafogo)

Vaias para a torcida!

29/10/2010

O Botafogo voltou a vencer, contou com uma rodada altamente favorável e está novamente na zona de classificação para a Libertadores 2011, mas mesmo assim a torcida alvinegra protestou e vaiou alguns jogadores. O público total registrado no Engenhão, no sábado passado, pela 31ª rodada, foi de 13 mil. 13.000 presentes. Para o supersticioso botafoguense era um indício de que a sequência de empates seria encerrada: 31ª rodada e 13.000 alvinegros na plateia.

A equipe de Joel Santana se superou e bateu o Vitória de Antônio Lopes com um golaço de Marcelo Cordeiro, aos 45 minutos da etapa inicial, e ainda perdeu três ou quatro oportunidades para construir um placar dilatado. E o gol? Uma obra de arte! A cobrança de falta do Cordeiro foi espetacular! Como explicar então a revolta no Engenhão? Parte da torcida mostrou total falta de entrosamento com o time e, ao invés de apoiar o jogador que está usando a gloriosa camisa alvinegra, passou a vaiar de forma insistente tanto o Lucio Flavio quanto o Fahel.

O torcedor tem o direito de reclamar, vaiar e protestar, mas não durante o jogo e não enquanto o jogador está de posse da pelota! Em certo momento, o Lucio estava sendo vaiado de forma insistente, carregou a bola ao ataque com velocidade, ainda sob vaias, tentou uma enfiada para o Loco Abreu, a jogada seria excelente, mas o passe foi interceptado pelo zagueiro adversário e aí aconteceu algo que me perturbou como botafoguense e apaixonado por futebol: a torcida riu e aplaudiu! Como pode o torcedor gostar de ver um ataque do seu time do coração ser desmantelado?

Piscina! Edno se prepara para mais um mergulho no gramado!

O Renato Cajá substituiu o Lucio e errou tudo o que tentou, mas aí o torcedor fica quieto, não reclama, já que pediu a entrada do meia durante a partida. Incoerência total e absurda! E o que falar do Edno? Figura nula em campo, errou todos os lances, matou contra-ataques e mostrou que aprendeu a ser um grande cai-cai. É ou não é imagem e semelhança do Victor Simões? O time é guerreiro, tem limitações, mas luta para conquistar as vitórias e sem o apoio do exigente torcedor que ainda sonha com Mané Garrincha e Nilton Santos!

Algo está muito errado com a torcida do Botafogo!

Vamos, FOGO!

Um dia veremos a torcida do Botafogo vaiar o Loco Abreu?

Ficha Técnica:

31ª Rodada: Botafogo 1 x 0 Vitória (23/10/2010)

Botafogo: Jefferson, Danny Morais, Leandro Guerreiro e Márcio Rosário; Alessandro, Marcelo Mattos, Somália, Lucio Flavio (Renato Cajá) e Marcelo Cordeiro (Edno); Jobson (Fahel) e Loco Abreu

Técnico: Joel Santana

Vitória: Viáfara; Nino Paraíba, Wallace, Anderson Martins e Rafael Cruz; Bida, Neto Coruja (Vanderson), Jonas e Ramon (Henrique); Adaílton e Júnior (Elkeson)

Gol do Botafogo: Marcelo Cordeiro, aos 45 minutos iniciais

Técnico: Antônio Lopes

Local: Engenhão (RJ) / Público: 13.000 presentes / Renda: R$ 224.360,00

Árbitro: Mário Chagas da Silva (RS)

Cartão Amarelo: Somália (Botafogo); Bida, Adaílton, Neto Coruja, Júnior e Nino (Vitória)

Quanto vale o Engenhão?

28/07/2010

Torcida e diretoria sempre sonharam com um estádio próprio para o Botafogo. Esse sonho vem desde a lamentável perda da gloriosa sede de General Severiano na década de 70 e que culminou na demolição do estádio pela Companhia Vale do Rio Doce. O presidente Charles Macedo Borer decidiu entregar a sede como forma de amortização de uma dívida.

Todos os grandes clubes do Rio de Janeiro devem fortunas, mas nenhum deles teve a brilhante ideia de lapidar o patrimônio para sanear as finanças. As dividas continuam monstruosas e o belíssimo Estádio de General Severiano se perdeu para sempre.

O mais bonito do Brasil! Estádio de General Severiano, o berço alvinegro!

A identidade do Botafogo sempre esteve no coração da Zona Sul carioca. Marechal Hermes e Caio Martins nunca deram certo e agora o Estádio Olímpico João Havelange caminha para o mesmo destino. A atual diretoria do clube diz ter planos incríveis para o local, mas essas não eram as palavras de ordem da gestão Bebeto de Freitas? A única mudança perceptível foi no ridículo nome de Rio Stadium ou Stadium Rio. Por acaso somos romanos?

Pelo estatuto do torcedor, o Botafogo é obrigado a divulgar público e renda após as partidas. O clube publica em seu site oficial os borderôs dos jogos e uma análise desses documentos mostra que o Engenhão está longe de ser a galinha dos ovos de ouro. Aliás, bota longe nisso! O acesso ao estádio é terrível, não existe estrutura de apoio para o torcedor que parte da Zona Sul e o policiamento simplesmente desaparece quando o jogo acaba.

Na estreia da equipe pelo Campeonato Brasileiro, após a conquista da Tríplice Coroa: Taça Guanabara, Taça Rio e Campeonato Estadual 2010, a torcida alvinegra que compareceu ao Engenhão enfrentou filas para entrar no estádio e encontrou diversas catracas fechadas – algo que não acontece no desorganizado Maracanã, por exemplo.

Bonito, moderno, mas longe pra c***lho!

Os números da partida ficaram abaixo da expectativa tanto em campo quanto nas arquibancadas. No gramado: Botafogo 3 x 3 Santos. No borderô (disponível para consulta no site do clube): 25.634 ingressos vendidos e uma renda bruta de R$ 475.095,00. Calculadora ligada para os descontos: R$ 156.448,90 de despesas gerais, R$ 1.319,98 de retenções e R$ 63.729,22 de uma penhora. Receita líquida para o alvinegro: R$ 254.918,88.

Na terceira rodada, o time de Joel Santana, após boa vitória diante do São Paulo, no Morumbi, estava em terceiro lugar na tabela e encarava o lanterna Goiás com chances de assumir a liderança do campeonato. Casa cheia, certo? Errado. Apenas 17.135 ingressos vendidos e uma receita de R$ 278.275,00 que com os descontos caiu para R$ 112.460,18. Então o que esperar após a irritante derrota para o Cruzeiro por 1 a 0?

Botafogo 1 x 1 Vasco, pela quinta rodada, foi uma decepção para os dois clubes também nas bilheterias: 20.373 torcedores pagaram para ver o jogo, o que resultou numa arrecadação de R$ 361.590,00, noves fora, sobraram R$ 75.501,24 para cada agremiação. Nesse momento a crise ainda não estava instaurada e o alvinegro figurava na quinta colocação na tabela.

Loco Abreu voltou animado do Mundial e isso pode contagiar o torcedor!

A equipe de Joel Santana sofreu uma ridícula virada do Atlético-PR, estava vencendo por 2 a 0, e iria enfrentar o líder Corinthians, no Engenhão, na última rodada antes da paralisação para a Copa do Mundo. O técnico pediu o apoio da torcida nesse momento difícil e garantiu todo o esforço para buscar os três pontos. Atendendo a convocação, 14.267 torcedores empurraram o Botafogo para a vitória que estava praticamente certa até os 47 minutos do segundo tempo.

Renda? Calculadora na mão: R$ 222.170,00 brutos, menos despesas de R$ 153.100,00, menos R$ 1.303,76 de retenções e sobraria R$ 69.069,57 aos cofres alvinegros. Eu disse sobraria, já que duas penhoras levaram tudo e deixaram o caixa zerado. Pode ser pior? Pode.

Na volta da Copa do Mundo, após um mês de treinos, o Botafogo conseguiu a façanha de perder de forma patética para o Flamengo, no Maracanã, pelo placar mínimo. O próximo jogo, no Engenhão, foi contra o Guarani. A torcida estava preocupada com o péssimo rendimento da equipe e apenas 7.250 ingressos foram vendidos. A receita de R$ 81.090,00 não cobriu as despesas e o resultado foi um débito de R$ 33.953,08, ou seja, mesmo jogando em casa o Botafogo teve prejuízo com o estádio.

Clássico Vovô: O Botafogo jogou muito bem e foi castigado pelo empate!

Na 11ª rodada, com o time já na zona de rebaixamento, 23.218 ingressos foram vendidos para o clássico contra o Fluminense, então líder do brasileirão. A arrecadação foi de R$ 518.820,00 e com os descontos cada clube receberia R$ 116.136,65, mas as penhoras limparam o cofre e nenhum dos dois viu a cor do dinheiro.

O Botafogo está na 17ª posição, na zona de rebaixamento e não conseguiu arrecadar nenhum centavo em seu estádio por três jogos seguidos. O caixa alvinegro faturou R$ 442.880,30, mas temos que descontar o débito da nona rodada, R$ 33.953,08, o que dá R$ 408.927,22 em seis jogos, média de R$ 68.154,54 por partida.

A diretoria pode argumentar que se esses confrontos fossem no Maracanã o prejuízo será muito maior. Será? Flamengo x Botafogo, pela 8º rodada, com mando de campo rubro-negro, levou 20.076 torcedores ao Maraca e arrecadou R$ 416.885,00. No site do time da Gávea, não encontrei o borderô disponível para consulta. Infelizmente transparência não está nos planos de alguns dirigentes do futebol brasileiro.

E o Engenhão? Vamos esperar que Maicosuel, Loco Abreu, Jefferson e Jóbson consigam trazer o torcedor de volta ao estádio. E por favor, esqueçam essa história de Stadium Rio ou Rio Stadium, isso é ridículo. A nossa casa deveria ter o nome de um grande ídolo alvinegro e craque é o que não falta no nosso panteão de estrelas. Estádio Olímpico Mané Garrincha, que beleza? Ou simplesmente Níltão. Olha aí, a sorte do local até mudaria se estivesse acompanhado do mestre Nilton Santos. Na verdade, o Botafogo seria imbatível com o Estádio de General Severiano funcionando!

O charmoso palacete com o Estádio ao fundo. Celeiro dos craques alvinegros.

Pelé Eterno

07/05/2010

Em ano de Copa do Mundo a polêmica é a mesma: a seleção não é a ideal, o Brasil tem que entrar como favorito, surge aquele craque de última hora e sempre tem o Pelé dando opinião sobre tudo e sobre todos. E se é para falar de Pelé, bem, eu prefiro falar do jogador Pelé e não do comentarista Pelé, pois como definiu Romário: “O Pelé calado é um poeta.”

O documentário Pelé Eterno de Aníbal Massaini foi lançado nos cinemas em 2004 e vendeu a ideia de ser o filme definitivo sobre o Rei do Futebol, mas passa longe disso. A abertura extremamente brega já anunciava o estilo de condução do filme. Existem 1001 maneiras de se fazer uma abertura de um documentário sobre Pelé, e não é que eles escolheram justamente a que não deveria ser sequer cogitada!

Outro ponto negativo foi a escolha dos entrevistados. Poucos craques falaram, poucos jornalistas esportivos foram procurados, e até grandes jogadores de hoje ficaram de fora. Nilton Santos, Zico, Juca Kfouri, Bebeto, Zagallo, Carlos Alberto Parreira, Ronaldo, o que eles diriam sobre Pelé? Vamos ficar sem saber.

O Rei e a querida Jules Rimet

Assisti ao filme nos cinemas, as jogadas de Pelé ficam sensacionais na tela grande, e comprei o DVD, mas nunca coloquei no meu aparelho para tocar. Esse é o tipo de filme que deve ser visto com os amigos (que gostem de futebol, é claro!), regado a cervejinha e muita discussão.

Quem era melhor, Pelé ou Garrincha? O Pelé marcaria mil gols hoje em dia? A preparação física tornou o futebol previsível? Onde estão os pontas que encantaram gerações?

Claro que essas questões não aparecem no filme de Massaini, que é centrado na figura de Pelé, mas estão por ali, rondando como pano de fundo entre os golaços inesquecíveis. É uma pena que o diretor não tenha fugido um pouco dessa linha, pois em alguns momentos ficamos com a impressão de ver um grande institucional pago pelo Edson Arantes do Nascimento.

Para falar do camisa 10 do Santos temos que contextualizar o futebol da época e para isso seria preciso falar dos craques que ajudaram o menino de Bauru a se transformar no Atleta do Século.

Menino Edson assinando um pré-contrato?

Na Copa de 58 os gols de Vavá, os lançamentos de Didi, a técnica de Nilton Santos e os dribles de Mané foram tão importantes quantos os gols de Pelé. Didi foi eleito o Craque da Copa e recebeu o apelido de Mr. Football pela imprensa internacional.

A Copa de 62 foi ganha sem Pelé. Dizem que Mané Garrincha só faltou fazer chover nesse mundial. A base era a mesma daquela equipe que encantou a Suécia em 58: Djalma Santos, Nilton Santos, Zito, Didi, Zagallo, Vavá, Mané e Amarildo no lugar do Rei.

Até mesmo o Santos jogou a final do Mundial Interclubes, em 63, contra o Milan sem Pelé. E venceu duas partidas aqui no Maracanã. Nada disso apaga o valor das diversas condecorações que Pelé recebeu. Ele é o maior jogador de futebol de todos os tempos, ele é o Atleta do Século. Mas ele não chegou lá sozinho e sabe disso.

Bola na rede e o famoso soco no ar

Pelé Eterno é obrigatório. Obrigatório para a nova geração que acha Romário-melhor-que-Pelé, obrigatório para os jovens da década de 60 matarem a saudade do Rei, e ainda obrigatório para estudantes de cinema. Ah, como eu gostaria de editar os gols do Pelé. Na verdade não é preciso criar muito, ele já fez isso. As jogadas são tão cinematográficas que parecem ensaiadas.

Vendo as imagens em preto e branco, desgastadas, sujas, arranhadas, não resta dúvida! Não existe e não vai existir outro jogador como Pelé. É fato. E antes que pensem em Maradona… Vou terminar com uma frase do próprio Pelé: “Antes do Maradona chegar ao Pelé ele vai ter que pedir licença aos outros craques inquestionáveis do nosso futebol. Primeiro ao Mané, depois vem o Didi, aí o Leônidas…”.

Pelé Eterno

Brasil, 2004, 120 min

Direção: Aníbal Massaini

Armando Nogueira: Mestre das Palavras

29/03/2010

Armando Nogueira, jornalista, apaixonado por futebol, torcedor do Botafogo e mestre das palavras, morreu nesta manhã, aos 83 anos, em seu apartamento na Lagoa, vítima de câncer.

Armando nasceu em Xapuri, no Acre, em 1926, e veio para o Rio de Janeiro com 17 anos. Assistiu a Copa do Mundo de 1950 das Tribunas de Imprensa do Maracanã, mas ainda sem exercer a profissão “Estava apenas xeretando o trabalho dos profissionais e vendo os jogos sem pagar ingresso“.

Acompanhou todas as copas desde então e o fato de ter nos deixado em ano de Copa do Mundo só faz aumentar a tristeza pela sua perda. Armando mudou radicalmente o modo de se fazer telejornalismo e hoje, se a Rede Globo é soberana no horário esportivo brasileiro deve muito a sagacidade e a visão de Nogueira.

O futebol não tinha um espaço fixo na programação da emissora e nem de longe os outros esportes eram tão populares. Foi com a cobertura da Olimpíada de Munique, em 1972, que o esporte entrou na pauta da Globo e por consequência recebeu atenção nacional.

Armando escreveu diversas crônicas pelos jornais por onde passou e foi autor de dez livros, entre eles, “Drama e Glória dos Bicampeões”, “Na Grande Área”, “Bola na Rede” e “A chama que não se apaga”. O amor pelo time da Estrela Solitária sempre esteve presente nos seus textos onde eternizou frases e expressões à craques como Garrincha, “O anjo de pernas tortas” e para Nilton Santos: “Tu, em campo, parecias tantos, e no entanto, que encanto! Eras um só, Nílton Santos”.

Em 2009, em reconhecimento aos anos de dedicação ao Glorioso, a diretoria alvinegra deu o nome do mestre para a sala de imprensa do Centro de Treinamento em General Severiano: Sala de Imprensa Armando Nogueira.

Textos de Armando Nogueira com imagens geniais do eterno Mané Garrincha: