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Vergonha, vergonha, vergonha…

22/04/2011

Depois de uma década gloriosa, a de 60, onde conquistou praticamente todos os títulos possíveis – não fossem os embates contra o poderoso Santos de Pelé, certamente seriam anos ainda mais gloriosos – o Botafogo perdeu a sede de General Severiano nos anos 70, perdeu a identidade e amargou o mais terrível ciclo de sua história: foram 21 anos sem a conquista de um título de expressão nacional ou até mesmo regional. Nesse período negro, pensava-se que a torcida seria extinta e que o time da Estrela Solitária seria um arremedo de agremiação como aconteceu com o Bangu de Zizinho e, infelizmente, com o tradicional America, o Campeão dos Campeões!

Hoje, Real Madrid x Barcelona, no passado só dava Botafogo x Santos!

Confesso que vivi – e sofri – pouco esse período e quando passei a me entender por gente, lá em 1989, pude ver Maurício, o eterno, envergando a mítica camisa 7 – que só ouvira das histórias de meu pai – escorar centro preciso de Mazolinha e correr como um louco pelo Maracanã! O grito de “É Campeão!” estourou pelas ruas do bairro de Botafogo e eu, lá do alto, na janela, ainda moleque, ao ver aquele mar preto-e-branco tomar a Praia de Botafogo arrisquei o pedido:

– Pai, vamos lá? Vamos acompanhar? Eles vão para a sede, eles vão pro Mourisco.

– Não, vai você. Eu já comemorei muito, já sofri muito, chegou a sua hora. Pode ir que não vai ter problema. Com a torcida do Botafogo nunca tem problema.

Essa permissão, cheia de verdade e segurança, foi uma afirmação que guardei para sempre: “Com a torcida do Botafogo nunca tem problema!” Jamais vou esquecer aquela multidão em êxtase, cantando o Hino do Glorioso e saudando os heróis do tão esperado título: Ricardo Cruz, Josimar, Mauro Galvão, Wilson Gottardo, Marquinhos, Carlos Alberto Santos, Luisinho, Víctor, Gustavo, Mazolinha, Paulinho Criciúma, Maurício e Valdir Espinosa!

Momento histórico em 1989: Maurício, camisa 7, estufa as redes! É Campeão!

No ano seguinte, outro triunfo, dessa vez sobre o time da Colina, Bicampeão Carioca! O revés de 92, impensável, foi minha primeira derrota, mas trouxe o título da Copa Commebol, numa final histórica, no Maraca, diante do Peñarol! As duplas Túlio Maravilha & Donizete; Gonçalves & Wágner e Dimba & Zé Carlos me deram mais alegrias, com títulos estaduais, nacionais e até internacionais como o Tereza Herrera! Os anos 90 não deveriam ter acabado para o torcedor do Botafogo!

E esse foi o problema, aí está a questão do que acontece hoje! A década de 90, assim como a reluzente década de 60, acabou, ficou no passado, um tempo que não volta. O que temos hoje é outra realidade, outro Botafogo, outro momento do futebol mundial. É hora de reerguer o Botafogo e infelizmente não será com essa torcida que nasceu e viveu os anos 90. Não, essa torcida não compreende ó que é ser botafoguense, o que está envolvido nisso. As dezenas de conquistas dos anos 90 fizeram esses torcedores acreditarem que o Botafogo era outra agremiação, algo como um Milan, Barcelona, ou até mesmo um São Paulo.

Túlio Maravilha e a taça de Campeão Brasileiro de 1995! Fogoooo!

O Botafogo voltou para General Severiano, voltou da temível Série B, conquistou dois estaduais, formou bons times, arrendou um estádio, mas possui uma dívida monstruosa e depende, e muito, do apoio da torcida, não à toa, chamada pelos dirigentes de “O Maior Patrimônio do Clube”! Tenho certeza que esses vândalos que foram receber os jogadores ontem, no Tom Jobin, não são torcedores do Botafogo. Tenho certeza! Eles não compram produtos licenciados, não pagam ingresso para assistirem aos jogos, não choram nas derrotas e não vibram nas conquistas! Eles são uma espécie de tropa de choque que se acham donos do Botafogo, donos da verdade e só afastam os verdadeiros torcedores dos estádios.

Nunca li uma notícia nos jornais desses “torcedores” terem ido tirar satisfação com o Juan, lateralzinho do time da Lagoa, que afundou a cabeça do Maicosuel na grama, após levar uma série de dribles desconcertantes! Não vi eles encararem o juizinho que anulou o gol legítimo do Dodô, aos 47 do segundo tempo, e que tirou aquele título das nossas mãos! Onde estavam esses truculentos torcedores nesses momentos? Eles não são furiosos e apaixonados pelo time? Não, isso não, mas ameaçar os jogadores, no aeroporto, de forma covarde e violenta faz parte do pensamento medíocre desses indivíduos… Não estou pregando a violência no futebol, mas apenas mostrando como a incoerência faz parte desse triste espetáculo.

Alessandro, com a camisa do Botafogo, é ameaçado no aeroporto Tom Jobim!

Espero que o Botafogo não fique tantos anos sem títulos e conquistas internacionais, até porque com essa nova geração de torcedores é capaz do clube acabar mesmo. É preciso apoiar a equipe, é só essa que nós temos. É preciso torcer pelo Botafogo, na alegria e na tristeza. É preciso entender que o Alessandro não é um craque, mas não se esconde do jogo. O Fahel não é um grande marcador, mas erra muito menos do que a torcida acha. O Leandro Guerreiro foi embora e time continua levando gols bobos e aí? O Lucio Flavio era o grande vilão desse time, ele foi embora também e agora? Quem é o culpado? Quem bate faltas na cabeça do Loco Abreu? Quem cobra escanteios precisos pro Fábio Ferreira estufar as redes? Nesse time atual? Ninguém! Poucos clubes no Brasil possuem um camisa 10, está em falta no futebol brasileiro, e, bom ou ruim, nós tínhamos esse jogador e agora?

Não sei esses torcedores, mas eu queria que a equipe principal, ou ao menos alguns reservas, entrassem em campo amanhã, contra o Boavista, pela semifinal da Taça Carlos Alberto Torres. É Botafogo, é título, tem taça e precisamos vencer! O Botafogo precisa reaprender a vencer… E essa é uma boa hora para isso, nunca é tarde para começar! Eu vou sempre torcer pelo Botafogo e pelos jogadores que estiverem vestindo essa camisa gloriosa. Ontem, os jogadores estavam uniformizados e com a Estrela Solitária no peito… e os torcedores? Nenhum deles que aparecem nas fotos ou nas imagens vestia a camisa alvinegra… Interessante, não?

Vamos, FOGO!

Violência! Caio é hostilizado pelos mesmos que o aplaudiram em 2010!

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Procura-se torcedor!

13/04/2011

O Botafogo de Futebol e Regatas, com sede em General Severiano, no Rio de Janeiro, procura torcedores que estejam dispostos a apoiar e amar um clube de futebol que já foi responsável direto por três títulos da Seleção Brasileira em Copa do Mundo, a saber, 1958, 1962 e 1970. Outros atrativos do pacote básico: conhecer a história de grandes craques do futebol mundial que atuaram pelo alvinegro como Nilton Santos, Mané Garrincha, Didi, Manga, Zagallo, Amarildo, Quarentinha, Jairzinho, Paulo César Lima, Gérson, Rogério e Roberto Miranda. Para os torcedores mais fanáticos temos a opção de ídolos recentes como Maurício, Paulinho Criciúma, Josimar, Valdeir, Gottardo, Gonçalves, Vágner, Sérgio Manoel, Donizete e Túlio Maravilha.

A diretoria do Botafogo não promete adiantamento de vencimentos, ou seja, os títulos podem demorar um pouco, mas apresenta uma bela sede social, no Palacete de General Severiano, na zona sul carioca, e atletas dispostos a honrar as tradições da Estrela Solitária, mas dentro do apertado orçamento que o clube dispõe. Não garante milagres e nem a compra da arbitragem – que historicamente sempre atrapalha a equipe. Só pede que esse “novo” torcedor vá para o moderno Estádio Olímpico João Havelange com a intenção de apoiar e torcer pelo time do coração! O Botafogo não precisa de vaias e apupos dentro de sua própria casa!

Ao contrário da torcida, Loco Abreu acreditou no lance e fez o gol de empate!

Esse novo torcedor já teria sido muito importante hoje, no primeiro mata-mata das Oitavas de final da Copa do Brasil. O Avaí atuou como se estivesse em campo neutro e voltará para Santa Catarina sem sentir “a pressão de jogar no Rio”. Os jogadores do Botafogo irão até a Ressacada felizes! Irão jogar longe dos palavrões e insultos de sua própria torcida e quem sabe até podem voltar com a classificação na bagagem. É certo que precisarão de um padrão tático e de muito inspiração para reverter a vantagem catarinense, mas longe do Engenhão e dessa terrível torcida tudo pode acontecer, até milagres…

Caio Júnior conferiu bem de perto o drama que Joel Santana viveu em 14 meses no banco de reservas alvinegro. Aos 13 minutos de jogo, João Filipe erra um passe bobo e o mundo desaba no estádio! Parte da torcida inicia inacreditáveis gritos de “Cuca! Cuca!” Como assim? O elenco é fraco e jogava na retranca no esquema Papai Joel, a torcida não gostava e clamava pela demissão do folclórico treinador. Caio Júnior chegou para mudar esse panorama, mas com os mesmos jogadores e os torcedores, muito inteligentes, acham que essa mudança será feita com varinha de condão… Parecido não é igual e Caio Júnior não é o Harry Potter!

Não é camisa 10! Everton não é articulador de jogadas e sim meia-atacante!

O João Filipe ficou nervoso com as vaias e atrapalhou toda a defesa no lance do segundo gol; o Antônio Carlos se perdeu com os erros do companheiro de zaga; o Alessandro voltou a ser sistematicamente vaiado a cada toque na bola; o Márcio Azevedo não se apresenta ao ataque com medo de ser xingado pela torcida e o Caio Júnior foi pressionado a mexer no time e acabou se enrolando todo nas substituições. É tudo culpa do torcedor? Claro que não, mas como dizem os norte-americanos, é “Fifty-fifty”.

O Tottenham foi eliminado pelo Real Madrid, na Liga dos Campeões, perdendo os dois jogos e mesmo assim o torcedor que lotou o White Hart Lane cantou e apoiou o time o tempo inteiro, do apito inicial ao apito final! Os jogadores ingleses, em retribuição, correram os noventa minutos, suaram a camisa, tentaram de tudo, mas não conseguiram vencer em casa, no jogo da volta. Claro que a superioridade de Cristiano Ronaldo & Cia era evidente, mas o torcedor compareceu em peso e incentivou o Tottenham mesmo em desvantagem! Pena ser tão caro importar torcida com cotação em Euro…

Vamos, FOGO!

Que sufoco! Cortês já pediu protetores de ouvido para jogar em paz!

Copa do Brasil

Oitavas de Final – Jogo 01: Botafogo 2 x 2 Avaí (13/04/2011)

Botafogo: Jefferson, Alessandro (Somália), João Filipe, Antônio Carlos e Márcio Azevedo (Cortês); Marcelo Mattos, Arévalo Ríos, Everton e Caio; Herrera (Lucas) e Loco Abreu

Técnico: Caio Júnior

Avaí: Renan, Felipe (Acleisson), Gian, Cássio e Julinho; Diogo Orlando, Marcinho Guerreiro, Bruno e Marquinhos Gabriel; Willian (Evandro) e Rafael Coelho (Fabiano)

Técnico: Silas

Gols do Botafogo: Herrera, aos 22, e Loco Abreu, aos 45 minutos iniciais

Gols do Avaí: Willian, aos 13, e Rafael Coelho, aos 21 minutos do 1º tempo

Local: Engenhão (RJ) / Público: 5.574 presentes / Renda: R$ 77.400,00

Árbitro: Fabrício Neves Correa

Cartão Amarelo: Gian, Cássio, Juninho, Diego Orlando (Avaí), Marcelo Mattos e Antônio Carlos (Botafogo)