Posts Tagged ‘General Severiano’

Fechado para balanço!

27/12/2011

A placa deveria ter sido pendurada na sede do clube, em General Severiano, logo após a última rodada do BR-11, mas acredito que a decepção que tomou conta deste blog também atingiu a diretoria alvinegra. O ano começou bem, virou um caos no primeiro semestre e prometia um fechamento incrível com a vaga na Libertadores e quem sabe um título… Mas tudo ficou pelo caminho e a torcida botafoguense preferiu fechar a conta e passar a régua. Fim de ano lamentável pelas bandas de Botafogo.

Andrezinho: primeira e única contratação de impacto do Botafogo para 2012!

E o que esperar de 2012? O mundo não irá acabar – isso é certo – mas e o Botafogo no ano que vem? Já perdemos o Cortês para o São Paulo, mas logo pro São Paulo? Não tinha como vender lá pra fora? O Botafogo se apequenou com essa venda e voltou a liberar um jogador titular para uma equipe brasileira. A diretoria deu a mensagem: a estrutura ainda é de time mediano, não importa quanto de marketing se jogue no ventilador.

Podemos ainda perder um zagueiro titular e não temos peças de reposição. E quem será o novo lateral-esquerdo do time? Márcio Azevedo? Esse a torcida queimou totalmente e ele precisará de ajuda psiquiátrica para não abandonar a profissão. Ah, um profissional que não seja do Botafogo, já que ficou claro que não temos um setor de psicologia por lá. Queimar? Isso é com o Botafogo mesmo. O João Felipe não prestava e está no São Paulo! O Edson Silva não prestava e, depois de se destacar no Figueirense, está no São Paulo. O que será que acontece lá no São Paulo?

Nem tudo está perdido! Marcelo Mattos tem longo contrato com o Fogão!

Andrezinho é um bom nome e ninguém discorda disso. O meio de campo ficará fortalecido e com muitas opções para o novo treinador usar sua “filosofia de trabalho”. Marcelo Mattos e Renato são titulares indiscutíveis, mas contam com a sombra do bom Lucas Zen que pode substituir os dois e fazer as duas funções por ali. Finalmente teremos alguém que saiba armar as jogadas e que pense o jogo. Andrezinho pode ajudar o Renato no combate e ainda partir para o ataque. Felipe Menezes não é carta fora do baralho. Ainda temos Maicosuel e Elkeson. A disputa será boa por ali.

Loco Abreu não teve um companheiro de ataque efetivo neste Campeonato Brasileiro, mas Herrera pode se recuperar e a volta de Jobson será fundamental para dar velocidade e ousadia para a equipe. Maicosuel pode subir de produção nesse cenário e Elkeson não precisa tentar salvar o ataque o tempo todo. Bem, esse é o lado positivo dessa análise… o negativo nós já conhecemos muito em 2011. Vamos esperar por um ano melhor. O Campeonato Carioca não será fácil como todos estão dizendo e a Copa do Brasil já tem um grande favorito: o São Paulo!

Que venha 2012!

Vamos, FOGO!

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Vergonha, vergonha, vergonha…

22/04/2011

Depois de uma década gloriosa, a de 60, onde conquistou praticamente todos os títulos possíveis – não fossem os embates contra o poderoso Santos de Pelé, certamente seriam anos ainda mais gloriosos – o Botafogo perdeu a sede de General Severiano nos anos 70, perdeu a identidade e amargou o mais terrível ciclo de sua história: foram 21 anos sem a conquista de um título de expressão nacional ou até mesmo regional. Nesse período negro, pensava-se que a torcida seria extinta e que o time da Estrela Solitária seria um arremedo de agremiação como aconteceu com o Bangu de Zizinho e, infelizmente, com o tradicional America, o Campeão dos Campeões!

Hoje, Real Madrid x Barcelona, no passado só dava Botafogo x Santos!

Confesso que vivi – e sofri – pouco esse período e quando passei a me entender por gente, lá em 1989, pude ver Maurício, o eterno, envergando a mítica camisa 7 – que só ouvira das histórias de meu pai – escorar centro preciso de Mazolinha e correr como um louco pelo Maracanã! O grito de “É Campeão!” estourou pelas ruas do bairro de Botafogo e eu, lá do alto, na janela, ainda moleque, ao ver aquele mar preto-e-branco tomar a Praia de Botafogo arrisquei o pedido:

– Pai, vamos lá? Vamos acompanhar? Eles vão para a sede, eles vão pro Mourisco.

– Não, vai você. Eu já comemorei muito, já sofri muito, chegou a sua hora. Pode ir que não vai ter problema. Com a torcida do Botafogo nunca tem problema.

Essa permissão, cheia de verdade e segurança, foi uma afirmação que guardei para sempre: “Com a torcida do Botafogo nunca tem problema!” Jamais vou esquecer aquela multidão em êxtase, cantando o Hino do Glorioso e saudando os heróis do tão esperado título: Ricardo Cruz, Josimar, Mauro Galvão, Wilson Gottardo, Marquinhos, Carlos Alberto Santos, Luisinho, Víctor, Gustavo, Mazolinha, Paulinho Criciúma, Maurício e Valdir Espinosa!

Momento histórico em 1989: Maurício, camisa 7, estufa as redes! É Campeão!

No ano seguinte, outro triunfo, dessa vez sobre o time da Colina, Bicampeão Carioca! O revés de 92, impensável, foi minha primeira derrota, mas trouxe o título da Copa Commebol, numa final histórica, no Maraca, diante do Peñarol! As duplas Túlio Maravilha & Donizete; Gonçalves & Wágner e Dimba & Zé Carlos me deram mais alegrias, com títulos estaduais, nacionais e até internacionais como o Tereza Herrera! Os anos 90 não deveriam ter acabado para o torcedor do Botafogo!

E esse foi o problema, aí está a questão do que acontece hoje! A década de 90, assim como a reluzente década de 60, acabou, ficou no passado, um tempo que não volta. O que temos hoje é outra realidade, outro Botafogo, outro momento do futebol mundial. É hora de reerguer o Botafogo e infelizmente não será com essa torcida que nasceu e viveu os anos 90. Não, essa torcida não compreende ó que é ser botafoguense, o que está envolvido nisso. As dezenas de conquistas dos anos 90 fizeram esses torcedores acreditarem que o Botafogo era outra agremiação, algo como um Milan, Barcelona, ou até mesmo um São Paulo.

Túlio Maravilha e a taça de Campeão Brasileiro de 1995! Fogoooo!

O Botafogo voltou para General Severiano, voltou da temível Série B, conquistou dois estaduais, formou bons times, arrendou um estádio, mas possui uma dívida monstruosa e depende, e muito, do apoio da torcida, não à toa, chamada pelos dirigentes de “O Maior Patrimônio do Clube”! Tenho certeza que esses vândalos que foram receber os jogadores ontem, no Tom Jobin, não são torcedores do Botafogo. Tenho certeza! Eles não compram produtos licenciados, não pagam ingresso para assistirem aos jogos, não choram nas derrotas e não vibram nas conquistas! Eles são uma espécie de tropa de choque que se acham donos do Botafogo, donos da verdade e só afastam os verdadeiros torcedores dos estádios.

Nunca li uma notícia nos jornais desses “torcedores” terem ido tirar satisfação com o Juan, lateralzinho do time da Lagoa, que afundou a cabeça do Maicosuel na grama, após levar uma série de dribles desconcertantes! Não vi eles encararem o juizinho que anulou o gol legítimo do Dodô, aos 47 do segundo tempo, e que tirou aquele título das nossas mãos! Onde estavam esses truculentos torcedores nesses momentos? Eles não são furiosos e apaixonados pelo time? Não, isso não, mas ameaçar os jogadores, no aeroporto, de forma covarde e violenta faz parte do pensamento medíocre desses indivíduos… Não estou pregando a violência no futebol, mas apenas mostrando como a incoerência faz parte desse triste espetáculo.

Alessandro, com a camisa do Botafogo, é ameaçado no aeroporto Tom Jobim!

Espero que o Botafogo não fique tantos anos sem títulos e conquistas internacionais, até porque com essa nova geração de torcedores é capaz do clube acabar mesmo. É preciso apoiar a equipe, é só essa que nós temos. É preciso torcer pelo Botafogo, na alegria e na tristeza. É preciso entender que o Alessandro não é um craque, mas não se esconde do jogo. O Fahel não é um grande marcador, mas erra muito menos do que a torcida acha. O Leandro Guerreiro foi embora e time continua levando gols bobos e aí? O Lucio Flavio era o grande vilão desse time, ele foi embora também e agora? Quem é o culpado? Quem bate faltas na cabeça do Loco Abreu? Quem cobra escanteios precisos pro Fábio Ferreira estufar as redes? Nesse time atual? Ninguém! Poucos clubes no Brasil possuem um camisa 10, está em falta no futebol brasileiro, e, bom ou ruim, nós tínhamos esse jogador e agora?

Não sei esses torcedores, mas eu queria que a equipe principal, ou ao menos alguns reservas, entrassem em campo amanhã, contra o Boavista, pela semifinal da Taça Carlos Alberto Torres. É Botafogo, é título, tem taça e precisamos vencer! O Botafogo precisa reaprender a vencer… E essa é uma boa hora para isso, nunca é tarde para começar! Eu vou sempre torcer pelo Botafogo e pelos jogadores que estiverem vestindo essa camisa gloriosa. Ontem, os jogadores estavam uniformizados e com a Estrela Solitária no peito… e os torcedores? Nenhum deles que aparecem nas fotos ou nas imagens vestia a camisa alvinegra… Interessante, não?

Vamos, FOGO!

Violência! Caio é hostilizado pelos mesmos que o aplaudiram em 2010!

Renato Cajá e o negócio da China!

12/03/2011

Renato Cajá chegou ao Botafogo para compor o elenco de 2010 e ser uma sombra para o contestado apoiador Lucio Flavio. Foram poucos jogos, poucos gols e um pênalti perdido na temporada, contra o Cruzeiro, o que indicava uma saída melancólica de General Severiano, mas a camisa 10 caiu no colo de Cajá com a transferência de Lucio Flavio para o futebol mexicano. Era a oportunidade que o jogador sempre procurou e a chance de dar a volta por cima num grande clube do futebol brasileiro!

O ano de 2011 começou com golaços, boas exibições e a titularidade que Renato Cajá tanto almejava, mas eis que surge uma proposta irrecusável da… China! Um verdadeiro negócio da China! Jogador e clube aceitaram na hora – ou de uma hora pra outra – e Cajá deu entrevistas dizendo que “estava saindo dando dinheiro ao clube”. O poderoso Guangzhou Evergrande, da primeira divisão do futebol chinês, desembolsou R$ 4 milhões pelos direitos econômicos do apoiador, mas apenas parte disso irá para os cofres alvinegros.

 

Sempre marcado! Renato era o único armador de jogadas do time!

Renato Cajá não conhece o novo clube – até aí nenhum problema, já que eu também não conheço e uma busca pela internet revela que alguns brasileiros jogam por lá como o atacante Muriqui, ex-Atlético-MG e o zagueiro Paulão, ex-Grêmio. O grande dilema disso tudo é que o clube também não conhece o atleta que está contratando. Não é incrível? Cajá revelou que falou ao telefone com o presidente do Guangzhou Evergrande e que esse perguntou onde ele tinha jogado! Como assim? “Ele também perguntou onde eu havia jogado e quis saber mais sobre minhas características – afirmou o jogador”.

Bem, parece brincadeira, não é Gérson? Até posso ouvir o Canhotinha de Ouro comentando o fato. André Limoeiro, botafoguense e assíduo leitor do blog, desabafou num e-mail engraçado e infelizmente verdadeiro:

– Contrataram o cara sem saber nada dele e ele acha isso normal… Eu também quero ir jogar bola na China! Já joguei no Flamengo, na escolinha (mas ninguém precisa saber disso), e em vários times do Brasil (times de pelada, mas ninguém precisa saber disso). Tenho como características vigor físico, bom passe, boa colocação e minha finalização está melhorando muito.

Sozinho na armação, Cajá era presa fácil para o treinador adversário!

O que diferencia o Limoeiro do Cajá não é o suco – não resisti ao trocadilho, hehehe! – mas o nosso leitor não conta com um empresário rodado e experiente. O cara vendeu um produto que ninguém conhece, vai entregar a mercadoria, sim jogador de futebol é uma mercadoria, e pronto: quatro milhões no bolso! É certo que o jogador precisa de dinheiro, a carreira é curta, blábláblá, mas ir para um centro desconhecido é dar adeus a qualquer chance de ser lembrado na profissão.

Bem, é isso! Adeus Cajá! E obrigado pelos nove gols marcados em quase 14 meses de Botafogo. Foi pouco, não? Acho que não rolou o DVD…

Renato Cajá comemora um dos poucos gols marcados pelo Botafogo!

Ficha Técnica:

Apelido: Renato Cajá

Nome Completo: Renato Adriano Jacó Morais

Data de Nascimento: 15/09/1984 (26 anos)

Natural de: Cajazeiras – PB

Posição: Apoiador

Títulos pelo Botafogo:

Campeonato Carioca: 2010

Taça Guanabara: 2010

Taça Rio: 2010

Quem é o “Loco”?

29/01/2011

O jogador veste a camisa 13 do Glorioso de General Severiano e tem como apelido de infância a alcunha “Loco”. Ao fim da suada vitória do Botafogo – e bota suada nisso! – Abreu reclamou do calor e do excesso de jogos. Quem é o louco nessa história? O jogo é para a televisão? Mas que televisão? Não passa na TV aberta e o sistema “pague-para-ver” não exige fidelidade de horário, muito pelo contrário, o canal fica “fora do ar” apenas esperando pela transmissão do evento. Então, qual o objetivo de programar uma partida para as 17h de sábado, no Engenhão, sem transmissão pela TV aberta? Só os gênios que organizam nosso futebol podem explicar esse mistério!

Os quase seis mil valentes que compareceram ao caldeirão construído no Engenho de Dentro acompanharam mais um capítulo da “Saga Alvinegra no Campeonato Carioca”! O Botafogo saiu na frente com um gol de Renato Cajá logo aos 13 segundos de jogo e depois cedeu terreno para o adversário. E como manda o roteiro da saga, lá estava Jefferson, goleiro de Seleção Brasileira, para operar verdadeiros milagres!

Renato acertou um chutaço de fora da área para abrir o placar!

Joel fez o que se espera dele nesse início de ano: lançou o Caio no 2º tempo. Mas dessa vez a mudança foi muito estranha e a saída do lateral-direito Lucas deixou a equipe torta e vulnerável. O treinador percebeu o erro, após assistir a duas defesas monumentais de Jefferson, e sacou o Rosário – Amém! – para recompor a defesa com Alessandro.

Com a cozinha arrumada foi possível finalizar o placar! E que finalização? Loco Abreu recebeu um lançamento primoroso de Alessandro – novamente ele! – e estufou as redes do Olaria. Logo na sequência veio o susto com um gol pela Avenida Somália, mas nada de esquentar a cabeça! Abreu ganhou na corrida, invadiu a área e com muita categoria deu uma cavadinha encobrindo o goleiro Renan. Golaço! Golaço!

Antes do fim do jogo, com a vitória decidida, a torcida resolveu aparecer e pegou no pé do Somália enquanto a bola estava no pé dele! Não pode, assim não dá. O Somália não era o queridinho da torcida? O problema não era o Lucio Flavio, o Leandro Guerreiro e o Fahel? Quer dizer que o jogador alvinegro não pode errar uma ou duas bola e ter uma atuação abaixo da média que a resposta são vaias? Ah, que torcida desagradável!!! O time não merece essa torcida, o Botafogo não merece essa torcida e essa torcida não merece representar esse clube! Por favor, virem vascaínos! Virem trioletes! Virem framengo!

Aos verdadeiros alvinegros, o grito:

Vamos, FOGO!

Loco e a já famosa cavadinha! Goooooool do Botafogo!

Ficha Técnica:

4ª Rodada: Botafogo 3 x 1 Olaria (29/01/2011)

Botafogo: Jefferson, João Felipe, Antônio Carlos e Márcio Rosário (Alessandro); Lucas (Caio), Marcelo Mattos, Bruno Tiago, Renato Cajá (Marcos Vinícius) e Somália; Loco Abreu e Herrera

Técnico: Joel Santana

Olaria: Renan, Ivan, Thiago, Rafael e Amarildo; David, Victor, Danilo e Renan Silva; Waldir (Vinícius) e Felipe (Renato)

Técnico: Luiz Antônio Ferreira

Gols do Botafogo: Renato Cajá, aos 13 segundos de jogo, e Loco Abreu, aos oito e aos 14 minutos do segundo tempo

Gol do Olaria: Vinícius, aos dez minutos da etapa final

Local: Engenhão (RJ) / Público: 5.812 presentes / Renda: R$ 103.830,00

Árbitro: William de Souza Nery

Cartão Amarelo: Márcio Rosário e Loco Abreu (Botafogo); e Renan Silva (Olaria)

Novatos treinam com disposição

22/01/2011

A crise entre Joel Santana e Loco Abreu atrasou o treino por quase duas horas e a pequena e impaciente torcida que esperava por alguma movimentação preferiu comentar a vitória sobre o Duque de Caxias do que pensar num possível racha no elenco, já no inicio do trabalho. Quando os jogadores foram liberados e partiram para o gramado de General Severiano a recompensa veio com belos gols e com a oportunidade de ver os novos reforços finalmente batendo uma bolinha.

Com o campo reduzido, e elenco também, já que apenas dez jogadores participaram da atividade, o time de Colete Branco bateu o Colete Preto, mas ninguém ficou atento ao placar, e sim à movimentação de Éverton e ao domínio de bola de Arévalo. Jefferson, Rodrigo Mancha, Araruama, Alessandro e Herrera formaram o time branco e o colete preto ficou com Milton Raphael, Fahel, Arévalo, Éverton e Renan – que jogou na linha para completar a pelada.

Nada de desfile! Novos atletas treinam forte em General Severiano!

Apesar do forte calor e das dimensões reduzidas do gramado deu para notar que Cacha não gosta de perder nenhuma dividida, que Herrera enche o pé até em brincadeira de quintal e que Éverton vai dar muitas alegrias quando estiver em forma. Depois de perder duas jogadas individuais para Rodrigo Mancha, que mostrou muita disposição, Éverton se livrou da marcação e mandou uma bomba no ângulo de Jefferson, indefensável! Alessandro fez belos gols e a sombra do recém contratado Lucas parece ter feito muito bem ao ex-camisa 2 alvinegro.

Joel Santana contornou a crise após conversa com Loco Abreu e agora só pensa na segunda rodada, contra a Cabofriense, neste domingo. Para quem viu a vontade demonstrada por Arévalo Ríos, Éverton, Herrera, Alessandro e Rodrigo Mancha ficou a certeza que crise será uma palavra que não vai se abater sobre General Severiano em 2011!

Joel Santana: O Rei do Rio?

06/09/2010

A luta contra o rebaixamento no Brasileirão 2009, decidida apenas na última rodada, fez com que a torcida botafoguense tivesse pesadelos nas férias de dezembro. O pacote de reforços para o Campeonato Estadual demorava a aparecer nos jornais esportivos e a desconfiança se refletia no baixíssimo número de camisas alvinegras nas ruas da cidade. Será 2010 igualzinho aos anos anteriores? Veremos o time da Lagoa conquistar o quarto título seguido? Teremos forças para chegar à final e atrapalhar o tetra da mulambada? Nem o mais ensandecido torcedor acreditava nisso.

Os ventos começam a mudar em 5 de janeiro quando a diretoria anuncia a contratação do uruguaio Loco Abreu e logo depois fecha com o argentino Herrera. Os nomes seguem estampando os diários esportivos: Antônio Carlos, Marcelo Cordeiro, Fábio Ferreira e Renato Cajá. O time de Estevam Soares não joga bem, mas vence dois jogos no sufoco e lidera o grupo B. O dia do clássico chegou: Botafogo x Vasco, no Engenhão. Na estreia de Abreu, e do quarto uniforme, quem faz a festa é um velho conhecido da torcida: Dodô mete três gols e o Vasco goleia por 6 a 0. Crise total. Demissão da comissão técnica e desespero entre os torcedores.

O presidente Maurício Assumpção contrata Joel Santana. Na coletiva de imprensa, Joel, brincalhão, não economiza bom humor:

– Os senhores estavam com saudade de mim e eu de vocês. O campeonato vai começar agora, já que o convidado de honra chegou. O Botafogo tem time e estrutura para ser campeão e se eu não acreditasse nisso não tinha vindo, ficava em casa curtindo as férias.

Profecia de Joel: Lucio Flavio, ainda capitão, com a Taça Guanabara 2010!

Apesar do tom cinza que rondava General Severiano, Joel arranca risos no palacete e arregaça as mangas. As palavras de otimismo seguem contagiando os jogadores que conseguem quatro vitórias seguidas, mesmo sem um padrão de jogo, e classificam o time para as semifinais. O adversário é o Flamengo, mas dessa vez o placar é diferente: 2 a 1 e de virada.

A decisão da Taça Guanabara, no dia 21 de fevereiro, quase um mês após o desastre, é contra o time da Colina de Carlos Alberto e Dodô. Só que dessa vez algo mudou! O Vasco não se encontra em campo, perde a cabeça, a invencibilidade e o título: Botafogo faz 2 a 0 e comemora!

Botafogo Bicampeão da Taça Guanabara!

Existem coisas que só acontecem com o Botafogo! A arrancada para o título era inesperada e a vitória sobre o Flamengo impensável… E agora o que esperar do segundo turno? Joel Santana, novamente ele, manda o recado:

– Vamos vencer a Taça Rio. Não é título? Não tem taça? Não tem final e transmissão pela TV? Então, o Botafogo só entra para vencer. Se é título, eu quero ganhar e levar o troféu.

A campanha é boa e garante a classificação para a semifinal. A Copa do Brasil, outro sonho da diretoria, fica pelo caminho e a derrota, em casa, para o Santa Cruz, de virada, irrita a torcida, mas agora é hora da superação! O milionário Fluminense de Fred e Muricy Ramalho entra no caminho. O Botafogo consegue uma virada histórica, 3 a 2, e espera o adversário da final.

Loucura no Maracanã! Outro uruguaio entra para a história do estádio!

“Nunca espere que outro faça o seu trabalho!” – minha avó, que Deus a tenha, sempre teve razão! O Vasco é garfado e não segura o Flamengo. Agora somente o Botafogo de Joel Santana pode impedir o inédito tetracampeonato rubro-negro. O jogo tão esperado pela Rede Globo vai acontecer: Botafogo x Flamengo pela Taça Rio! Ou como eles sempre preferem chamar: Flamengo x Botafogo – nunca importa a ordem.

18 de abril, final da Taça Rio, Maracanã lotado, domingo de sol e os urubus voando alto e felizes pelo céu carioca: “Tá na mão! O juiz é nosso! Vamos levar mais essa!” A confiança rubro-negra tem sentido. Como não lembrar da final de 2007 e do gol de Dodô, aos 46 do segundo tempo, o gol do título? Como esquecer a falta de Juan em Maicosuel, num momento decisivo da final de 2009? Não, Joel Santana não quer saber disso, ele não estava aqui e não aceita nem falar sobre isso nas entrevistas coletivas.

– Não faltam três jogos para o título, não aqui. O Botafogo só precisa de uma vitória para ser campeão e será neste domingo. Não tem essa história de entrar tranquilo! Estamos na final da Taça Rio e não num jogo qualquer. Jogo de final é tenso e eu quero vencer a Taça Rio. Eu disse isso aos jogadores, eu quero a Taça Rio.

O discurso de Ney Franco, em 2009, foi o oposto. Ney pediu calma e paciência aos jogadores, disse que aquele jogo não era tão importante assim e que ainda restavam dois jogos para o título. Bem, deu no que deu, né? O Botafogo de Joel Santana, Herrera e Loco Abreu não quis saber de respeitar o Flamengo do Império do Amor e nem prestou atenção ao juiz. O Botafogo de Leandro Guerreiro, Antonio Carlos, Alessandro e Jefferson tinha pressa, urgência de ser campeão.

Salto para a glória! Jefferson garante a Tríplice Coroa do Estadual 2010!

Os heróis do título da Taça Rio são muitos e os alvinegros sabem que os jogadores que entraram em campo naquela tarde tiveram que se superar, mas o herói do título estadual, o grande responsável pela mudança de pensamento foi o técnico Joel Santana. O Campeonato Carioca de 2010 não se compara ao título de 89, mas supera e muito o de 97 e mesmo o recente 2006.

Um título incontestável e que tem a marca do carisma de Joel Santana! A lembrança dessa conquista será sempre dividida entre o pênalti defendido por Jefferson – Melhor Goleiro e eleito o Craque do Estadual – e a fantástica cavadinha de Loco Abreu – repetida com sucesso na Copa do Mundo da África do Sul – mas me permitam abrir espaço para o Natalino nessa memória.

O Botafogo soma 31 pontos, é o quinto colocado ao fim do primeiro turno do Campeonato Brasileiro 2010 e o líder Fluminense tem 38 pontos, ou seja, é possível sonhar. Não sei o que vou escrever aqui, neste blog, na 38ª rodada, mas a forma como o time começou o Carioca e tudo o que aconteceu depois me permitem sonhar. Não me lembro de uma equipe tão consistente e aguerrida como essa nos últimos anos e, apesar dos tropeços, convido os alvinegros a compartilharem desse sonho que é o Bicampeonato Brasileiro.

Vamos, FOGO!

Quanto vale o Engenhão?

28/07/2010

Torcida e diretoria sempre sonharam com um estádio próprio para o Botafogo. Esse sonho vem desde a lamentável perda da gloriosa sede de General Severiano na década de 70 e que culminou na demolição do estádio pela Companhia Vale do Rio Doce. O presidente Charles Macedo Borer decidiu entregar a sede como forma de amortização de uma dívida.

Todos os grandes clubes do Rio de Janeiro devem fortunas, mas nenhum deles teve a brilhante ideia de lapidar o patrimônio para sanear as finanças. As dividas continuam monstruosas e o belíssimo Estádio de General Severiano se perdeu para sempre.

O mais bonito do Brasil! Estádio de General Severiano, o berço alvinegro!

A identidade do Botafogo sempre esteve no coração da Zona Sul carioca. Marechal Hermes e Caio Martins nunca deram certo e agora o Estádio Olímpico João Havelange caminha para o mesmo destino. A atual diretoria do clube diz ter planos incríveis para o local, mas essas não eram as palavras de ordem da gestão Bebeto de Freitas? A única mudança perceptível foi no ridículo nome de Rio Stadium ou Stadium Rio. Por acaso somos romanos?

Pelo estatuto do torcedor, o Botafogo é obrigado a divulgar público e renda após as partidas. O clube publica em seu site oficial os borderôs dos jogos e uma análise desses documentos mostra que o Engenhão está longe de ser a galinha dos ovos de ouro. Aliás, bota longe nisso! O acesso ao estádio é terrível, não existe estrutura de apoio para o torcedor que parte da Zona Sul e o policiamento simplesmente desaparece quando o jogo acaba.

Na estreia da equipe pelo Campeonato Brasileiro, após a conquista da Tríplice Coroa: Taça Guanabara, Taça Rio e Campeonato Estadual 2010, a torcida alvinegra que compareceu ao Engenhão enfrentou filas para entrar no estádio e encontrou diversas catracas fechadas – algo que não acontece no desorganizado Maracanã, por exemplo.

Bonito, moderno, mas longe pra c***lho!

Os números da partida ficaram abaixo da expectativa tanto em campo quanto nas arquibancadas. No gramado: Botafogo 3 x 3 Santos. No borderô (disponível para consulta no site do clube): 25.634 ingressos vendidos e uma renda bruta de R$ 475.095,00. Calculadora ligada para os descontos: R$ 156.448,90 de despesas gerais, R$ 1.319,98 de retenções e R$ 63.729,22 de uma penhora. Receita líquida para o alvinegro: R$ 254.918,88.

Na terceira rodada, o time de Joel Santana, após boa vitória diante do São Paulo, no Morumbi, estava em terceiro lugar na tabela e encarava o lanterna Goiás com chances de assumir a liderança do campeonato. Casa cheia, certo? Errado. Apenas 17.135 ingressos vendidos e uma receita de R$ 278.275,00 que com os descontos caiu para R$ 112.460,18. Então o que esperar após a irritante derrota para o Cruzeiro por 1 a 0?

Botafogo 1 x 1 Vasco, pela quinta rodada, foi uma decepção para os dois clubes também nas bilheterias: 20.373 torcedores pagaram para ver o jogo, o que resultou numa arrecadação de R$ 361.590,00, noves fora, sobraram R$ 75.501,24 para cada agremiação. Nesse momento a crise ainda não estava instaurada e o alvinegro figurava na quinta colocação na tabela.

Loco Abreu voltou animado do Mundial e isso pode contagiar o torcedor!

A equipe de Joel Santana sofreu uma ridícula virada do Atlético-PR, estava vencendo por 2 a 0, e iria enfrentar o líder Corinthians, no Engenhão, na última rodada antes da paralisação para a Copa do Mundo. O técnico pediu o apoio da torcida nesse momento difícil e garantiu todo o esforço para buscar os três pontos. Atendendo a convocação, 14.267 torcedores empurraram o Botafogo para a vitória que estava praticamente certa até os 47 minutos do segundo tempo.

Renda? Calculadora na mão: R$ 222.170,00 brutos, menos despesas de R$ 153.100,00, menos R$ 1.303,76 de retenções e sobraria R$ 69.069,57 aos cofres alvinegros. Eu disse sobraria, já que duas penhoras levaram tudo e deixaram o caixa zerado. Pode ser pior? Pode.

Na volta da Copa do Mundo, após um mês de treinos, o Botafogo conseguiu a façanha de perder de forma patética para o Flamengo, no Maracanã, pelo placar mínimo. O próximo jogo, no Engenhão, foi contra o Guarani. A torcida estava preocupada com o péssimo rendimento da equipe e apenas 7.250 ingressos foram vendidos. A receita de R$ 81.090,00 não cobriu as despesas e o resultado foi um débito de R$ 33.953,08, ou seja, mesmo jogando em casa o Botafogo teve prejuízo com o estádio.

Clássico Vovô: O Botafogo jogou muito bem e foi castigado pelo empate!

Na 11ª rodada, com o time já na zona de rebaixamento, 23.218 ingressos foram vendidos para o clássico contra o Fluminense, então líder do brasileirão. A arrecadação foi de R$ 518.820,00 e com os descontos cada clube receberia R$ 116.136,65, mas as penhoras limparam o cofre e nenhum dos dois viu a cor do dinheiro.

O Botafogo está na 17ª posição, na zona de rebaixamento e não conseguiu arrecadar nenhum centavo em seu estádio por três jogos seguidos. O caixa alvinegro faturou R$ 442.880,30, mas temos que descontar o débito da nona rodada, R$ 33.953,08, o que dá R$ 408.927,22 em seis jogos, média de R$ 68.154,54 por partida.

A diretoria pode argumentar que se esses confrontos fossem no Maracanã o prejuízo será muito maior. Será? Flamengo x Botafogo, pela 8º rodada, com mando de campo rubro-negro, levou 20.076 torcedores ao Maraca e arrecadou R$ 416.885,00. No site do time da Gávea, não encontrei o borderô disponível para consulta. Infelizmente transparência não está nos planos de alguns dirigentes do futebol brasileiro.

E o Engenhão? Vamos esperar que Maicosuel, Loco Abreu, Jefferson e Jóbson consigam trazer o torcedor de volta ao estádio. E por favor, esqueçam essa história de Stadium Rio ou Rio Stadium, isso é ridículo. A nossa casa deveria ter o nome de um grande ídolo alvinegro e craque é o que não falta no nosso panteão de estrelas. Estádio Olímpico Mané Garrincha, que beleza? Ou simplesmente Níltão. Olha aí, a sorte do local até mudaria se estivesse acompanhado do mestre Nilton Santos. Na verdade, o Botafogo seria imbatível com o Estádio de General Severiano funcionando!

O charmoso palacete com o Estádio ao fundo. Celeiro dos craques alvinegros.

Botafogo lança uniforme 2010

11/05/2010

Belo uniforme, belo cenário: Tu és o Glorioso!

O Botafogo lançou ontem, no Rio de Janeiro, os novos uniformes para a temporada 2010. A festa não foi no Palacete de General Severiano e sim na Baía de Guanabara, a bordo do iate Pink Fleet que pertence ao milionário alvinegro Eike Batista. Joel Santana e o ídolo Maurício, herói do título Carioca de 89, também estiveram no evento. Os jogadores Herrera, Sandro Silva, Fábio Ferreira, Jeferson, Renan, Luis Guilherme, Alex e Alessandro foram escolhidos pela diretoria para participar do lançamento.

O uniforme principal, o alvinegro, foi inspirado no modelo utilizado por Roberto Miranda, Rogério, Jairzinho, Gérson, Afonsinho e Paulo Cézar Lima na conquista do famoso “BiBi” no final da década de 60. A selefogo foi Bicampeã da Taça Guanabara 67/68, que era uma competição isolada do estadual na época, e também se sagrou Bicampeã Carioca 67/68. O timaço alvinegro ainda venceu a Taça Brasil 68, fechando a década mais gloriosa do futebol de General Severiano.

Ídolos do presente buscam as glórias da década de 60

A inscrição “O Glorioso“, apelido recebido após o histórico título de 1910 e que está fazendo 100 anos, aparece bordado na parte de trás da camisa, logo abaixo da gola. Passado e presente apontando para o futuro. A camisa já pode ser encontrada na loja oficial do clube por R$ 159,00 e o torcedor pode mandar imprimir a numeração escolhida na hora.

As camisas dos goleiros também serão uma atração à parte neste Campeonato Brasileiro e a cor escolhida para representar o nº1 alvinegro é o cinza. Até a década de 70 os goleiros só podiam utilizar o preto e o cinza em suas camisas e o folclórico guarda-metas Manga fechava o gol do Botafogo vestindo uma camisa negra que lembrava a do lendário arqueiro Lev Yashin, o Aranha Negra.

O paredão Jeferson e a nova camisa 1 do Botafogo

Além dos três uniformes de jogo, foram apresentados dois modelos para os uniformes de treino e o modelo cinza, utilizado pelo jovem atacante Alex, chamou a atenção pela beleza e harmonia.

História, tradição e glórias não faltam ao passado da Estrela Solitária, resta saber se Herrera, Jeferson, Alessandro e Fábio Ferreira honrarão essa camisa da mesma forma que os times campeões da década de 60 fizeram.

Ao lado de Joel, Alex e Alessandro mostram os uniformes de treino

Armando Nogueira: Mestre das Palavras

29/03/2010

Armando Nogueira, jornalista, apaixonado por futebol, torcedor do Botafogo e mestre das palavras, morreu nesta manhã, aos 83 anos, em seu apartamento na Lagoa, vítima de câncer.

Armando nasceu em Xapuri, no Acre, em 1926, e veio para o Rio de Janeiro com 17 anos. Assistiu a Copa do Mundo de 1950 das Tribunas de Imprensa do Maracanã, mas ainda sem exercer a profissão “Estava apenas xeretando o trabalho dos profissionais e vendo os jogos sem pagar ingresso“.

Acompanhou todas as copas desde então e o fato de ter nos deixado em ano de Copa do Mundo só faz aumentar a tristeza pela sua perda. Armando mudou radicalmente o modo de se fazer telejornalismo e hoje, se a Rede Globo é soberana no horário esportivo brasileiro deve muito a sagacidade e a visão de Nogueira.

O futebol não tinha um espaço fixo na programação da emissora e nem de longe os outros esportes eram tão populares. Foi com a cobertura da Olimpíada de Munique, em 1972, que o esporte entrou na pauta da Globo e por consequência recebeu atenção nacional.

Armando escreveu diversas crônicas pelos jornais por onde passou e foi autor de dez livros, entre eles, “Drama e Glória dos Bicampeões”, “Na Grande Área”, “Bola na Rede” e “A chama que não se apaga”. O amor pelo time da Estrela Solitária sempre esteve presente nos seus textos onde eternizou frases e expressões à craques como Garrincha, “O anjo de pernas tortas” e para Nilton Santos: “Tu, em campo, parecias tantos, e no entanto, que encanto! Eras um só, Nílton Santos”.

Em 2009, em reconhecimento aos anos de dedicação ao Glorioso, a diretoria alvinegra deu o nome do mestre para a sala de imprensa do Centro de Treinamento em General Severiano: Sala de Imprensa Armando Nogueira.

Textos de Armando Nogueira com imagens geniais do eterno Mané Garrincha: