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Pisando em pedras ou em ovos?

21/03/2011

Depois da derrota no clássico deste domingo fica a pergunta: O Botafogo é um time limitado ou uma equipe mal armada? Alguns torcedores sequer pensam para responder e as vaias para Joel Santana já fazem parte do espetáculo no Engenhão. Devo confessar que não fui ao estádio nesse jogo e preferi ver todos os detalhes da humilhante derrota do conforto de casa e com os comentários da dupla do PFC. Pude conferir que o impedimento assinalado no gol de Herrera foi de marcação difícil, quase humanamente impossível, e que o bandeira só mexeu no instrumento quando percebeu que o argentino iria estufar as redes de Fernando Prass… no mínimo duvidoso, bem duvidoso.

Derrota humilhante? O leitor mais atento poderá reclamar do uso do adjetivo, mas reafirmo que a derrota de 2 a 0 para o Vasco foi mesmo humilhante! Foi humilhante, pois o Botafogo sequer levou preocupação ao goleiro adversário; foi humilhante, pois a zaga bateu cabeça e entregou uma bola digna das peladas do Aterro; foi humilhante, pois a equipe parecia um bando desordenado em campo; foi humilhante, pois levamos um gol de bicicleta, dentro da área, de um jogador limitado e com 1,69m; foi humilhante, pois a torcida vibrou com a expulsão do próprio treinador; foi humilhante, pois…

Rodrigo Mancha foi um dos poucos que se salvaram no vexame...

Joel Santana armou o time com três cabeças de área, sendo um deles um falso terceiro zagueiro, Rodrigo Mancha, prendeu os laterais na marcação, Lucas e Márcio Azevedo, e novamente colocou a camisa 10 num coitado, Éverton, e falou: “Se vira!” No ano passado, Lucio Flavio e Maicosuel tiveram a missão de carregar o piano sozinhos e na atual temporada Renato Cajá passou por esse aperto e agora é a vez do Éverton sentir o peso de ser o único armador da equipe!

O garoto se esforça, tenta, corre, mas é impossível escapar da marcação individual que os treinadores adversários esquematizam! Eduardo Costa dava o primeiro combate e logo depois chegava a cobertura. Todas as atenções se voltam para o camisa 10 botafoguense e ninguém aparece para levar o time ao ataque, tudo passa pelo “cara que está com 10”.

Esquema tático? Everton recuado e perdido no lado esquerdo do campo...

Qual o esquema tático utilizado no primeiro tempo pelo Joel? É difícil até tentar decifrar esse enigma! 3-5-2? Mas os laterais não subiam pro ataque! 5-3-2? Arévalo Ríos e Somália se preocupavam com os avanços inexistentes dos laterais! Acredito que o Botafogo jogou no 7-1-2, com sete homens plantados em frente ao gol do Jefferson, com o Éverton largado no meio de campo, com o Herrera marcando a saída de bola e com o Loco Abreu esquecido entre os zagueiros vascaínos. Se o Lucas não tinha liberdade ou segurança para atacar porque não escalar o Alessandro que sempre faz bons jogos contra o Vasco? E qual a razão de deixar o Marcelo Mattos no banco?

É certo que nem tudo é culpa do Joel, mas ele teve participação na montagem do elenco e sabia das deficiências do time. A liberação do Renato Cajá para o futebol chinês foi um erro maior do que se supunha na época e o preço desse erro pode ser a eliminação na Taça Rio e na Copa do Brasil.

Time perdido em campo e presa fácil para um limitado Vasco...

Quando o Maicosuel irá voltar? Vamos esperar eternamente a recuperação do Mago? Onde está o Fabrício? E o Araruama? Onde está o Rodrigo Dantas? E o Túlio Souza? Esses dois jogaram o segundo jogo da final do Carioca e foram bem. Não dava pra manter os dois no elenco até a volta do Maicosuel? Os salários eram astronômicos? A diretoria não conseguiu planejar as contratações e nem avaliar bem os jogadores que estavam no clube. Se está faltando apoiador no mercado porque liberar três de uma vez?

Mais perguntas sem resposta em General Severiano. E será que o Loco não pisa na mesma pedra duas vezes ou não quer ficar pisando em ovos? Ele sabe muito bem o que a equipe fez de errado contra o Vasco e disse isso na primeira rodada da Taça Guanabara. A torcida entendeu, mas parece que o Joel não consegue absorver as críticas de forma positiva. O maior problema é que sem o Joel vai ficar pior… Não existe técnico disponível no mercado…

Vamos, FOGO!

Jefferson fez quatro defesas incríveis e evitou a goleada!

Ficha Técnica:

4ª Rodada da Taça Rio: Vasco 2 x 0 Botafogo (20/03/2011)

Vasco: Fernando Prass, Allan, Dedé, Anderson Martins e Ramon; Eduardo Costa, Rômulo, Felipe e Bernardo (Felipe Bastos); Diego Souza (Elton) e Éder Luís (Leandro)

Técnico: Ricardo Gomes

Botafogo: Jefferson, Lucas (Marcelo Mattos), João Filipe, Márcio Rosário e Márcio Azevedo (Caio); Rodrigo Mancha, Arévalo Ríos, Somália e Everton (Alex); Herrera e Loco Abreu

Técnico: Joel Santana

Gols do Vasco: Diego Souza, aos 13, e Eder Luis, aos 25 minutos da etapa final

Local: Engenhão (RJ) / Público: 31.265 presentes / Renda: R$ 724.360,00

Árbitro: Pericles Bassols

Cartão Amarelo: Eduardo Costa, Diego Souza, Ramon e Bernardo (Vasco); Loco Abreu, João Filipe, Everton, Rodrigo Mancha, Herrera e João Filipe (Botafogo)

Vitória em casa e primeira derrota como visitante

27/05/2010

Jogadores comemoram gol de Somália no Engenhão

“Tem coisas que só acontecem com o Botafogo!” A célebre frase ecoou mais uma vez no pensamento do torcedor alvinegro após a vitória convincente de 3 a 0 sobre o Goiás, no último domingo, 23 de maio, no Engenhão, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro. O time começou mal, foi dominado, Jeferson fez defesas salvadoras e quando todos esperavam pelo fim do primeiro tempo, eis que, em dois lances, o Botafogo desce para o vestiário com a vantagem de 2 a 0 no placar.

Nem mesmo o apagão de energia que derrubou metade das torres de iluminação do estádio foi capaz de esfriar a motivação da torcida e o terceiro gol de Herrera indicava que com a vitória sacramentada bastava tocar a bola, esperar pelo apito final e pensar no próximo adversário na sequência da tabela.

Mas quando nada poderia atrapalhar a festa nas arquibancadas a velha frase aparece para assombrar o Engenhão! Lembra dela? “Tem coisas que só acontecem com o Botafogo!” Caio e Herrera se desentendem, trocam ofensas, empurrões e o Botafogo perde para o Cruzeiro. Simples assim.

O goleiro Fábio do Goiás pula só para sair na foto do Lancenet!

Aqueles três pontos conquistados diante do Goiás poderiam se juntar a mais três nesta quarta e levar o time do Joel a beliscar a liderança provisória no certame. Enfrentar o Cruzeiro no Mineirão nunca é tarefa fácil, mas o que se viu nesta noite foi exatamente o que a torcida alvinegra prenunciou no momento da dupla expulsão de domingo, ou seja, dava pra vencer lá sem tantos desfalques.

Adilson Batista dirige a Raposa pelo terceiro ano seguido, ganhou dois mineiros, chegou até uma final de Libertadores, mas não agrada aos cruzeirenses nem com vitória! A equipe mineira esteve sem criatividade, pouco ameaçou a meta de Jeferson e se mostrou mais do que satisfeita com o 1 a 0 conquistado na primeira etapa.

O Botafogo teria que aprender a jogar sem o Loco Abreu – dispensado para se apresentar ao selecionado do Uruguai – nas primeiras rodadas antes da Copa do Mundo, isso é óbvio, mas perder os dois atacantes de referência de uma vez é muita complicação para uma prancheta solitária.

Em amistoso, Loco Abreu fez dois gols pela seleção uruguaia nesta quarta

Joel Santana conseguiu fazer a dupla Caio & Herrera funcionar e ainda teve opções como o Renato e o Edno para mudar os jogos no segundo tempo. Contra o Cruzeiro faltou competência e calma na hora das finalizações: foram muitos lances perigosos e um pênalti inacreditavelmente desperdiçado. O chute de Alessandro, aos 43 do segundo tempo, poderia ter posto justiça no placar.

Não é preciso reclamar dos impedimentos assinalados pelos dois bandeirinhas, é preciso reclamar do posicionamento dos atacantes alvinegros que teimaram em ficar além da linha de zaga mineira. Edno e Alex não colocaram a culpa na falta de entrosamento, mas a falta de ritmo de jogo ficou evidente.

Em alguns momentos percebi que o Edno se parece muito com um tal de Victor Simões. A cabeçada ridícula para a fácil defesa do goleiro Fábio já era um indício de que seria difícil, muito difícil encaixar um ataque para fazer o golzinho de empate. A jogada aérea, nossa principal arma em 2010, não funcionou, não tivemos nenhum lance de perigo contra a meta cruzeirense com esse fundamento.

Lucio Flavio vibra com o golaço de falta contra o Goiás

Quando o Lucio Flavio voltará a cobrar as penalidades? Ele não está treinando? Como pode um jogador que bate faltas e escanteios tão bem ter medo de cobrar um pênalti? O Renato fez tudo o que está no manual: disparou a meia altura, sem força e entregou o canto da cobrança.

Ah, esse é o manual dos goleiros sobre como defender um pênalti mal cobrado. No manual dos atacantes diz: rasteiro ou no alto, firme no canto e nunca entregar o lado da batida. Será que o auxiliar técnico não estudou como o Fábio pula na hora dos penais? Auxiliar técnico não serve para auxiliar o técnico nestas questões?

O gol sofrido diante do Cruzeiro foi uma clara demonstração da incompetência do sistema defensivo alvinegro. Um time que tem três zagueiros, dois volantes e que ainda prende os laterais não pode deixar o principal atacante adversário aparecer livre, dentro da pequena área, cara a cara com o Jeferson! O Botafogo sofreu cinco gols neste Brasileirão, sendo quatro deles dentro da pequena área e um da marca do pênalti. E em todos os lances o atacante estava livre de marcação.

Cinco jogadores alvinegros marcando a bola. Quem está com o Kléber?

A torcida sabe que o Campeonato Brasileiro é o mais disputado do mundo, mesmo que nivelado por baixo, e que qualquer ponto faz a diferença ao fim das trinta e oito rodadas. Uma vitória diante do Vasco, neste domingo, no Engenhão, recolocará o time no rumo certo e trará a confiança necessária para o confronto contra o Atlético-PR, na Arena da Baixada, pela sexta e penúltima rodada antes da paralisação para a Copa do Mundo.

Vamos comparecer em peso ao Engenhão e empurrar a equipe para mais uma vitória! Podemos acabar essa fase inicial, antes da Copa, na liderança do Brasileirão e não se esqueçam:

– Tem coisas que só acontecem com o Botafogo!

Herrera deve retornar para a partida contra o Vasco no Engenhão

Ficha Técnica:

3ª Rodada: Botafogo 3 x 0 Goiás (23/05/2010)

Botafogo: Jefferson, Fahel, Antônio Carlos e Fábio Ferreira; Alessandro, Leandro Guerreiro, Sandro Silva (Edno), Lucio Flavio (Renato) e Somália; Caio e Herrera.

Técnico: Joel Santana.

Goiás: Fábio, Rafael Tolói, Augusto (Rafael Moura) e Marcão (Ernando); Wendel Santos, Jonilson, Amaral, Hugo (Rodrigo Callasa), Bernardo, Wellington Saci; Éverton Santos.

Técnico: Emerson Leão.

Gols do Botafogo: Lucio Flavio aos 40 e Somália aos 42 minutos do primeiro tempo; Herrera aos 27 minutos da etapa final.

Local: Engenhão/RJ

Árbitro: Alísio Pena Júnior (MG)

Cartões Amarelos: Jonílson, Augusto e Rafael Tolói (Goiás); Antônio Carlos e Edno (Botafogo)

Cartão Vermelho: Fábio e Wellington Saci (Goiás); Caio e Herrera (Botafogo)

Crédito das fotos: Paulo Sérgio do Lancenet

4ª Rodada: Cruzeiro 1 x 0 Botafogo (26/05/2010)

Cruzeiro: Fábio, Jonathan, Gil, Leonardo Silva e Fernandinho; Fabinho (Elicarlos), Henrique, Marquinhos Paraná e Roger (Pedro Ken); Thiago Ribeiro (Guerrón) e Kleber.

Técnico: Adílson Batista.

Botafogo: Jefferson, Fahel, Antônio Carlos e Fábio Ferreira; Alessandro, Leandro Guerreiro, Sandro Silva (Alex), Lucio Flavio (Marcelo Cordeiro) e Somália; Edno e Renato (Diguinho).

Técnico: Joel Santana.

Gol do Cruzeiro: Thiago Ribeiro aos dezoito minutos do primeiro tempo.

Local: Mineirão/MG

Árbitro: Jaílson Macedo Freitas (BA)

Cartões Amarelos: Fernandinho, Kleber, Gil, Leonardo Silva e Guerrón (Cruzeiro); Fábio Ferreira e Diguinho (Botafogo).

Crédito das fotos: Ramon Bittencourt do Lancent