O sonho acabou!

A incredulidade de Jefferson! A vibração de Loco Abreu! A irritação de Joel Santana! A imaturidade de Caio! Quatro personagens decisivos em quatro momentos decisivos do jogo de ontem, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. O poderoso Corinthians fez 1 a 0, logo aos três minutos, e parecia que a goleada viria naturalmente. Engano. O gol paulista nasceu de uma falha individual do lateral-esquerdo Marcelo Cordeiro e não de uma ação ofensiva orquestrada pelo ataque corinthiano. Após o susto inicial, a trave de Julio Cesar balançou bons minutos ao ser atingida pelo petardo de Loco Abreu. O uruguaio, melhor em campo, ajeitou no peito e soltou a bomba que explodiu no travessão! Seria um golaço!

O Botafogo equilibrou o meio de campo e chegou ao empate depois de uma jogada bem trabalhada por Lucio Flavio e Herrera. Loco Abreu mostrou porque é um dos maiores cabeceadores do futebol mundial e mandou a bola para o fundo das redes. Lucio Flavio e Fahel, longe da perseguição da torcida, jogaram bem, não comprometeram e o camisa 10 alvinegro ainda fez bons lançamentos e ajudou na defesa. É verdade que Iarley chutou uma bola na trave de Jefferson, mas o empate foi justo para a primeira etapa.

Onde está o Marcelo Cordeiro? Não saiu nem na foto!

Já no segundo tempo, o Botafogo dominou e parecia que jogava em casa, no Engenhão. Bem, não era no Engenhão, mas era em casa, afinal, foi no Pacaembu, em 1995, que Túlio Maravilha ensinou como se faz gol decisivo! Voltemos ao jogo. Joel Santana errou ao sacar Herrera – jogou muito bem o argentino! – para colocar Renato Cajá. Penso que Joel fez a alteração temendo pela expulsão do atacante, que já tinha cartão amarelo, e não por opção tática. O Botafogo demorou a assimilar o novo esquema e recuou dando campo ao Corinthians que estava entregue na partida.

O torcedor alvinegro esperava que o relógio passasse e rezava para que a pressão corinthiana não resultasse no gol da vitória, mas como nada é fácil para o botafoguense quis o destino que as duas maiores oportunidades do jogo caíssem nos pés de Somália e Caio. Após puxar contra-ataque, Somália tinha a opção de Abreu, na direita, e Caja, na esquerda, eram três botafoguenses contra dois zagueiros paulista. Gol? Não. Somália resolveu concluir a jogada e bateu fraquinho para a defesa de Julio Cesar. Mas o pior ainda estava por vir!

Alessandro, um leão ontem, roubou uma bola dentro da área, não deu o chutão, arrancou driblando e foi derrubado na linha do meio campo. Falta assinalada. Paulistas reclamando. O cronômetro marcava 48 redondos, quando Abreu, sempre ele, pegou a pelota e lançou Caio em velocidade. O atacante, sozinho, com a bola dominada, se enrolou todo, conseguiu a recuperação da jogada, driblou o goleiro e deu um toque por cobertura, isolando o gol da vitória, o gol dos três pontos, o gol do 4º lugar, o gol da vaga da Libertadores-2011, o gol que permitiria sonharmos com o Bicampeonato Brasileiro!

Abreu pode ter perdoado Caio, mas a torcida não irá esquecer tão cedo...

Loco Abreu estava livre nos dois lances, completamente livre de marcação e pronto para estufar as redes. Loco Abreu, o cara que decretou o título da Taça Guanabara diante do Vasco da Gama! Loco Abreu, o cara que não teve medo de Bruno e nos deu o Campeonato Carioca! Loco Abreu, o cara que recolocou o Uruguai entre as quatro melhores seleções da Copa do Mundo da África do Sul! Loco Abreu estava livre nos dois lances… Esse cara que não sabe o que é pressão, que não sabe o que é perder, esse cara estava livre nos dois lances…

O Botafogo precisará juntar os cacos e fechar dignamente esta edição do Campeonato Brasileiro. A diretoria precisa começar a trabalhar agora para renovar contratos e reforçar o time para 2011. Mantendo a base e trazendo jogadores para as posições mais carentes como a lateral-esquerda e o meio-campo, acredito que a história se repetirá. Qual história? Em 94, no primeiro brasileiro de Túlio, terminamos na 4ª posição, disputando o título até o fim. No ano seguinte, com o elenco turbinado conquistamos o Campeonato Brasileiro de forma triunfal! Que 2010 sirva de lição para que tanto diretoria quanto torcida acreditem que é possível ser Campeão Brasileiro na Era dos Pontos Corridos!

Vamos, FOGO!

Ficha Técnica:

26ª Rodada: Corinthians 1 x 1 Botafogo (29/09/2010)

Corinthians: Julio Cesar, Alessandro, Thiago Heleno, William e Roberto Carlos (Danilo); Ralf (Paulinho), Jucilei, Elias e Bruno César; Jorge Henrique e Iarley (Defederico)

Técnico: Adilson Batista

Botafogo: Jefferson, Antônio Carlos (Danny Morais), Leandro Guerreiro e Fábio Ferreira; Alessandro, Fahel, Somália, Lucio Flavio (Caio) e Marcelo Cordeiro; Herrera (Renato) e Loco Abreu

Técnico: Joel Santana

Gol do Corinthians: Bruno César, aos quatro minutos de jogo

Gol do Botafogo: Loco Abreu, aos 26 minutos da etapa inicial

Local: Pacaembu (SP) / Público: 24.001 pagantes / Renda: R$ 770.449,50

Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (RS)

Cartão Amarelo: Elias (Corinthians); Fahel, Herrera (Botafogo)

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6 Respostas to “O sonho acabou!”

  1. Marcos Says:

    Muito bom!!

  2. christianjafas Says:

    Marcos,

    Eu acredito que a história possa se repetir.

    Eu vi o time vencer o Atlético-MG, no Maracanã, por 2 a 1, na semi-final do Brasileiro 94, ser eliminado – perdeu o primeiro jogo por 2×0, mas ser aplaudido pela torcida!

    Um ano depois, estava no Maraca, atrás do gol do Wágner e fui o primeiro a gritar “FOGOOOOOOOO! FOGOOOOOO!” após o gol de empate de Giovanni. Ao meu lado um amigo gritou, depois outro torcedor e o que parecia ser um silêncio ensurdecedor no Maior do Mundo se transformou num grito de vitória!

    Esse time tem o mesmo espírito daquele de 95. Só que ainda joga como o time de 94. Precisamos de mais duas peças para fazer um time campeão!

  3. saulo Says:

    Eu até me cansei de ficar falando do Botafogo e sei que enquanto estiver no Botafogo esses jogadores sem cérebro não vamos pra frente nunca infelizmente.

  4. André Says:

    Comparar este time com o de 95 é piada…

    Abraço

    • christianjafas Says:

      Negativo. É totalmente possível comparar os dois times. O problema é a memória curta do povo brasileiro… E eu comparei esse time ao time de 94 e não ao time de 95. É só dar uma olhada no último parágrafo do texto para compreender.

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