Dois jogos, quatro gols e uma zaga fumegante

O Botafogo, sem desfalques, enfrentou um misto santista e sofreu para pontuar na estréia do Brasileirão. O empate em 3 a 3 com o Santos de Neymar, na primeira rodada do Campeonato Brasileiro, em pleno Engenhão, foi encarado como péssimo resultado pela imprensa esportiva e até pelo técnico Joel Santana que relevou sua decepção ao site do clube:

– Esse resultado foi mais ruim do que bom. Foi ruim para os dois. Para quem pretende alguma coisa no Brasileiro, o empate nunca é bom. Os times que venceram na rodada já estão com a vantagem de dois pontos sobre o Botafogo e o Santos.

Animado com a conquista do título estadual, o Glorioso partiu para o ataque e o gol de Antônio Carlos, aos nove minutos da etapa inicial, encheu a torcida de esperanças, mas o campeão paulista, mesmo sem Robinho e Paulo Henrique Ganso, conseguiu a virada em dois lances seguidos.

O zagueiro Antônio Carlos faz o primeiro gol do Brasileirão 2010

Os gols de Neymar e André no primeiro tempo revelaram a fragilidade da defesa botafoguense. Aos 29 minutos, Alex Sandro se desvencilhou de Alessandro, cortou para o meio e empurrou para Marquinhos que, mesmo cercado por volantes, entrou na área e tocou para Neymar, livre na pequena área, empatar o jogo.

Como pode o Neymar, garoto sensação do momento, ficar livre na pequena área? E isso acontecer num esquema de três zagueiros? Quem estava na sobra? Quem deveria colar no Neymar? Não tinha marcação individual? Perguntas aparentemente sem respostas.

Jefferson desolado com os zagueiros após o gol de Neymar

A torcida ainda cantava incentivando o time após o empate, quando aos 32 minutos, Alessandro tenta subir ao ataque, é cercado, luta pela bola uma, duas vezes até perder a jogada e armar o contra-ataque santista que seria ineficiente se Somália, fora de posição e completamente estabanado, não interceptasse o lançamento equivocado de Marquinhos e entregasse a bola nos pés de André.

Somália, volante de origem, destro e improvisado como lateral-esquerdo, abandonou qualquer noção tática e correu até a entrada da área para cortar um passe que possivelmente sairia pelo lado do campo. Estréia desastrosa do volante-lateral na Série A.

Somália, sentado, ajeita as meias para não encarar os companheiros

A partida seguia equilibrada na etapa final, os dois lados pareciam satisfeitos com o empate e pouco arriscavam no ataque quando nova falha da zaga carioca entregou ao Santos o terceiro gol. Aos 34 minutos, Zé Eduardo, que entrou no lugar de Neymar, cabeceou livre, na pequena área, para desespero de Jefferson.

Zagueiros e volantes, com a mão na cintura, aguentaram a bronca do goleiro e dos 25 mil torcedores que foram ao Engenhão apoiar o time – maior público da 1ª rodada do Campeonato Brasileiro. Zé Eduardo, que tem 1,79, ainda precisou se abaixar para escorar o cruzamento da direita.

Alessandro não achou o Zé Eduardo no lance do gol, mas saiu na foto

A vitória sobre o São Paulo, neste domingo, no Morumbi, por 2 a 1, quebrou um tabu de 15 anos, mas o gol de cabeça de Léo Lima, antes dos dez minutos de jogo, parecia um sinal de que uma goleada seria inevitável. Era possível pensar que a defesa alvinegra iria segurar o ataque paulista?

O Tricolor tinha o Washington na área, centroavante trombador e bom de jogada aérea, e o Jorge Wagner para fazer os cruzamentos, mas para surpresa geral, Antônio Carlos, Fábio Ferreira e Fahel conseguiram anular a ponte aérea são-paulina e as jogadas laterais foram barradas por Alessandro e Somália.

Léo Lima, sem marcação, abre o placar no Morumbi

O time de Joel joga com três zagueiros, três volantes e os laterais ficam presos a marcação, ou seja, uma equipe com oito jogadores defensivos que formaria uma retranca impenetrável, certo? O ataque do Santos mostrou que quantidade não é qualidade. Na segunda rodada, o São Paulo não encontrou a mesma facilidade, mas ainda é cedo para acreditar que os erros do sistema defensivo foram resolvidos com apenas uma semana de treinamentos.

Papai Joel vai precisar de muita paciência para corrigir os erros infantis da defesa. Os zagueiros não se decidem na hora de fazer a sobra, os volantes não acompanham os meias adversários e os laterais tem a terrível mania de buscar o jogo no meio de campo. A equipe não consegue manter as duas linhas defensivas imaginadas pelo treinador e que são características do futebol italiano – falta a famosa obediência tática.

Vale esperar para ver como o Botafogo se comporta em casa, tendo a obrigação de sair para o jogo e cedendo espaços para o contra-ataque adversário. O Goiás ainda não pontuou na competição e é o lanterninha. O time do técnico Emerson Leão perdeu fora, de 1 a 0, para o Guarani e  em casa, de virada, por 3 a 2, para os reservas do Internacional. Adversário perfeito para o Fogão embalar de vez ou pedra no sapato? Resposta: sábado, 18:30 h, no Engenhão.

Fahel e Antônio Carlos impedem mais um ataque tricolor

Ficha Técnica:

1ª Rodada: Botafogo 3 x 3 Santos (08/05/2010)

Botafogo: Jefferson, Fahel, Antônio Carlos e Fábio Ferreira; Alessandro (Marcelo Cordeiro), Leandro Guerreiro, Túlio Souza (Edno), Renato (Caio) e Somália; Loco Abreu e Herrera. Técnico: Joel Santana.

Santos: Felipe, Maranhão, Bruno Aguiar, Durval e Alex Sandro; Roberto Brum (Rodrigo Mancha), Wesley e Marquinhos; André, Neymar (Zé Eduardo) e Madson (Breitner). Técnico: Dorival Júnior.

Gols do Botafogo: Antônio Carlos aos nove e aos 45 minutos do primeiro tempo e Herrera aos 43 do segundo tempo.

Gols do Santos: Neymar aos 29 minutos e André aos 32 do primeiro tempo e Zé Eduardo aos 34 do segundo tempo.

Local: Engenhão/RJ

Árbitro: Leonardo Gaciba (RS)

Cartões Amarelos: Zé Eduardo (Santos) e Herrera (Botafogo)

Cartão Vermelho: Alex Sandro (Santos)

Crédito das fotos: Cleber Mendes do Lancenet

2ª Rodada: São Paulo 1 x 2 Botafogo (16/05/2010)

São Paulo: Rogério Ceni, Alex Silva, Renato Silva e Richarlyson; Wellington (Cicinho), Jean, Cléber Santana, Léo Lima e Jorge Wagner; Washington (Fernandinho) e Marcelinho Paraíba (Marlos).

Técnico: Ricardo Gomes.

Botafogo: Jefferson, Fahel, Antônio Carlos e Fábio Ferreira; Alessandro (Marcelo Cordeiro), Leandro Guerreiro, Sandro Silva (Edno), Lucio Flavio (Renato) e Somália; Caio e Herrera.

Técnico: Joel Santana.

Gol do São Paulo: Léo Lima aos oito minutos do primeiro tempo.

Gols do Botafogo: Antônio Carlos aos 27 minutos do primeiro tempo e Renato aos 42 do segundo tempo.

Local: Morumbi/SP

Árbitro: Sandro Meira Ricci (DF)

Cartões Amarelos: Alex Silva, Richarlyson, Cicinho e Marcelinho Paraíba (São Paulo); Antônio Carlos (Botafogo)

Crédito das fotos: Gustavo Tilio do Lancenet

Anúncios

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

2 Respostas to “Dois jogos, quatro gols e uma zaga fumegante”

  1. André Says:

    É verdade, o jogo contra o São Paulo foi melhor e o mérito foi tanto da defesa que melhorou quanto da formação tática do São Paulo. Falei do São Paulo, pois com isto dá para elogiar o Joel. A situação foi a seguinte: no primeiro tempo, o Botafogo conseguiu anular o SP, pois como o Leo Lima não conseguia armar as jogadas (isso não foi mérito do Botafogo foi ruindade dele mesmo, tirando o gol, mais nada), o Marcelinho Paraiba teve que ficar mais recuado e tentar armar, fazendo com que o ataque ficasse só com um homem, o Coração de Leão com marca-passo, que foi dominado pelos dois zagueiros. Mas o lance nesta situação é que o Fahel ficou então na marcação individual do Marcelinho que não conseguiu fazer nada.

    No segundo tempo, o São Paulo veio com o Cicinho e o Fernandinho. O Joel acertou colocando o Somália (agora pela direita) no calcanhar do Fernandinho, o guri é bom mas não deu para ele não. E sobre o Cicinho: este não pode jogar tanto, pois o Fahel estava bem e anulou o rapaz. Por fim, depois da entrada do Marcelo Cordeiro, o lateral do SP teve que ficar mais recuado para evitar as subidas do nosso lateral.
    Ufa…
    É, esta a minha contribuição tática.

    • christianjafas Says:

      André,

      A visão do jogo foi essa mesmo. O esquema defensivo bobeou no gol do Léo Lima, mas depois passou tranquilidade ao Jefferson.

      O São Paulo foi muito sonolento, é claro, mas o time deles teoricamente é bom. O time reserva deles é melhor do que metade dos titulares do BR-10.

      Defesa: Renato Silva, Alex Silva e Richarlyson

      Meio campo: Cléber Santana, Léo Lima e Jorge Wagner

      Ataque: Washington e Marcelinho Paraíba

      E ainda teve o Rogério Ceni no gol e o Cicinho no 2º tempo. É vitória para comemorar!!!

      Pergunta lá no Morumbi se eles estão satisfeitos com a derrota?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: