Archive for maio \31\UTC 2010

O Botafogo e a Copa do Mundo de 1938

31/05/2010

A terceira Copa do Mundo organizada pela Fifa, em 1938, com sede na França, pode ser considerada uma das mais tensas e politizadas da história. Os países europeus sofriam com graves crises econômicas e com os regimes ditatoriais que se espalhavam pelo continente.

Se em 1934, a vitória da Itália foi marcada pelo obscurantismo, o que esperar de uma competição envolvendo o fascista Benito Mussolini e o nazista Adolf Hitler?

As eliminatórias contaram com trinta e sete países inscritos para as quatorze vagas disponíveis – Itália, atual campeã, e França, país-sede, estavam automaticamente classificadas. A ausência mais sentida foi a da Espanha que estava mergulhada numa terrível guerra civil desde 1936 e a grande surpresa do mundial foi a participação da seleção cubana, representante da Concacaf.

Cuba se classificou graças a desistência dos outros países filiados na América do Norte e Central. Os cubanos conseguiram empatar com a Romênia em 3 a 3 e assim forçaram a realização do jogo extra. No dia 9 de julho, em Toulouse, a seleção cubana venceu os romenos por 2 a 1, avançaram para as quartas-de-final e terminaram a Copa do Mundo num surpreendente sétimo lugar.

Saudação nazista antes do jogo Alemanha x Suíça, em 1938

Jules Rimet, criador do mundial, convenceu a Fifa a realizar a competição na França, seu país natal, e não utilizar o esquema de rodízio entre Europa a América – a terceira competição deveria acontecer na América do Sul, possivelmente na Argentina. Em represália a essa artimanha, diversos países se recusaram a participar do mundial, entre eles a Argentina, Colômbia, Estados Unidos, México e Uruguai.

O Brasil, como ocorrera nos outros dois mundiais, ganhou a vaga de presente, já que os argentinos se retiraram da disputa. O selecionado nacional contabilizava três jogos em copas, sendo uma vitória por 4 a 0 na Bolívia, em 1930, e duas derrotas, 2 a 1 para a Iugoslávia, na estréia em 1930, e 3 a 1 para a Espanha, em 1934. As brigas entre paulistas e cariocas que sempre atrapalhavam a seleção foram deixadas de lado e dessa vez os jogadores tiveram uma preparação focada apenas para o futebol.

Seleção brasileira consegue o terceiro lugar em 1938

Enquanto os brasileiros se preparavam por aqui, a Europa vivia momentos conturbados: Hitler decide anexar a Áustria em 13 de março de 1938. A seleção da Áustria conseguiu a classificação disputando as eliminatórias, mas não entrou em campo contra a Suécia protagonizando o primeiro e único W.O. da história da Copa do Mundo.

Os jogadores austríacos também foram “anexados” e obrigados a se apresentar ao selecionado alemão que, mesmo com esse reforço de última hora, foi eliminado precocemente, ainda na primeira fase, após perder a partida-desempate para a Suíça por 4 a 2.

Em 1938, o futebol não era apenas um simples esporte

A Fifa manteve o mesmo modelo de disputa do torneio anterior e a Copa do Mundo começava direto na fase de oitavas-de-final, assim o campeão precisaria de apenas quatro vitórias para erguer a taça e quem perdesse qualquer jogo ficaria pelo caminho.

Duas frases podem dimensionar o que representava vencer aquele mundial. Os jogadores italianos receberam, antes da decisão contra a Hungria, o seguinte telegrama do Dulce: “É vencer ou morrer”. Após o jogo, comentando a derrota por 4 a 2 que deu o bicampeonato para a Itália, o goleiro húngaro Szabo sentenciou: “Salvamos a vida de onze homens”.

Seleção italiana é a primeira bicampeão mundial de futebol

A seleção brasileira nunca havia passado da fase inicial e os jogadores estavam dispostos a mudar essa história. No dia 5 de junho, em Strasbourg, o nosso selecionado venceu a Polônia, por 6 a 5, depois de levar o jogo para a prorrogação. A partida ficou marcada pelas fortes chuvas que transformaram o campo num lamaçal e por um lance inusitado: Leônidas da Silva anotou um gol com o pé descalço enquanto os auxiliares técnicos tentavam costurar a chuteira do craque que havia estourado.

O Brasil precisou enfrentar a Tchecoslováquia duas vezes para seguir até a semifinal. Depois do empate em 1 a 1 no primeiro jogo, os brasileiros fizeram 2 a 1 e iriam encarar a temível Itália, campeã do mundo de 1930. No que foi considerado o melhor jogo da Copa de 38, os italianos venceram por 2 a 1, seguiram direto para a final, enquanto a seleção brasileira, eliminada, ainda disputaria o terceiro lugar contra a Suécia.

O jogo Itália 2 x 1 Brasil foi considerado o melhor do mundial

Com uma campanha que incluía duas vitórias, um empate e uma derrota, a seleção encerrou sua participação com uma boa vitória por 4 a 2 sobre os suecos e com a honra de figurar entre as três melhores potências do futebol mundial pela primeira vez. Leônidas da Silva ainda foi o artilheiro do mundial com oito gols e dois brasileiros foram selecionados para a seleção de estrelas do mundial: o próprio Leônidas e o zagueiro Domingos da Guia.

O Botafogo foi representado por cinco atletas: o zagueiro Nariz, Martim Silveira – que jogou também em 1934 – e Zezé Procópio para o meio de campo e os atacantes Patesko, em sua segunda participação, e Perácio que marcou três gols na competição. Zezé, Patesko e Perácio foram titulares nas cinco partidas realizadas pela seleção brasileira.

Vitória em casa e primeira derrota como visitante

27/05/2010

Jogadores comemoram gol de Somália no Engenhão

“Tem coisas que só acontecem com o Botafogo!” A célebre frase ecoou mais uma vez no pensamento do torcedor alvinegro após a vitória convincente de 3 a 0 sobre o Goiás, no último domingo, 23 de maio, no Engenhão, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro. O time começou mal, foi dominado, Jeferson fez defesas salvadoras e quando todos esperavam pelo fim do primeiro tempo, eis que, em dois lances, o Botafogo desce para o vestiário com a vantagem de 2 a 0 no placar.

Nem mesmo o apagão de energia que derrubou metade das torres de iluminação do estádio foi capaz de esfriar a motivação da torcida e o terceiro gol de Herrera indicava que com a vitória sacramentada bastava tocar a bola, esperar pelo apito final e pensar no próximo adversário na sequência da tabela.

Mas quando nada poderia atrapalhar a festa nas arquibancadas a velha frase aparece para assombrar o Engenhão! Lembra dela? “Tem coisas que só acontecem com o Botafogo!” Caio e Herrera se desentendem, trocam ofensas, empurrões e o Botafogo perde para o Cruzeiro. Simples assim.

O goleiro Fábio do Goiás pula só para sair na foto do Lancenet!

Aqueles três pontos conquistados diante do Goiás poderiam se juntar a mais três nesta quarta e levar o time do Joel a beliscar a liderança provisória no certame. Enfrentar o Cruzeiro no Mineirão nunca é tarefa fácil, mas o que se viu nesta noite foi exatamente o que a torcida alvinegra prenunciou no momento da dupla expulsão de domingo, ou seja, dava pra vencer lá sem tantos desfalques.

Adilson Batista dirige a Raposa pelo terceiro ano seguido, ganhou dois mineiros, chegou até uma final de Libertadores, mas não agrada aos cruzeirenses nem com vitória! A equipe mineira esteve sem criatividade, pouco ameaçou a meta de Jeferson e se mostrou mais do que satisfeita com o 1 a 0 conquistado na primeira etapa.

O Botafogo teria que aprender a jogar sem o Loco Abreu – dispensado para se apresentar ao selecionado do Uruguai – nas primeiras rodadas antes da Copa do Mundo, isso é óbvio, mas perder os dois atacantes de referência de uma vez é muita complicação para uma prancheta solitária.

Em amistoso, Loco Abreu fez dois gols pela seleção uruguaia nesta quarta

Joel Santana conseguiu fazer a dupla Caio & Herrera funcionar e ainda teve opções como o Renato e o Edno para mudar os jogos no segundo tempo. Contra o Cruzeiro faltou competência e calma na hora das finalizações: foram muitos lances perigosos e um pênalti inacreditavelmente desperdiçado. O chute de Alessandro, aos 43 do segundo tempo, poderia ter posto justiça no placar.

Não é preciso reclamar dos impedimentos assinalados pelos dois bandeirinhas, é preciso reclamar do posicionamento dos atacantes alvinegros que teimaram em ficar além da linha de zaga mineira. Edno e Alex não colocaram a culpa na falta de entrosamento, mas a falta de ritmo de jogo ficou evidente.

Em alguns momentos percebi que o Edno se parece muito com um tal de Victor Simões. A cabeçada ridícula para a fácil defesa do goleiro Fábio já era um indício de que seria difícil, muito difícil encaixar um ataque para fazer o golzinho de empate. A jogada aérea, nossa principal arma em 2010, não funcionou, não tivemos nenhum lance de perigo contra a meta cruzeirense com esse fundamento.

Lucio Flavio vibra com o golaço de falta contra o Goiás

Quando o Lucio Flavio voltará a cobrar as penalidades? Ele não está treinando? Como pode um jogador que bate faltas e escanteios tão bem ter medo de cobrar um pênalti? O Renato fez tudo o que está no manual: disparou a meia altura, sem força e entregou o canto da cobrança.

Ah, esse é o manual dos goleiros sobre como defender um pênalti mal cobrado. No manual dos atacantes diz: rasteiro ou no alto, firme no canto e nunca entregar o lado da batida. Será que o auxiliar técnico não estudou como o Fábio pula na hora dos penais? Auxiliar técnico não serve para auxiliar o técnico nestas questões?

O gol sofrido diante do Cruzeiro foi uma clara demonstração da incompetência do sistema defensivo alvinegro. Um time que tem três zagueiros, dois volantes e que ainda prende os laterais não pode deixar o principal atacante adversário aparecer livre, dentro da pequena área, cara a cara com o Jeferson! O Botafogo sofreu cinco gols neste Brasileirão, sendo quatro deles dentro da pequena área e um da marca do pênalti. E em todos os lances o atacante estava livre de marcação.

Cinco jogadores alvinegros marcando a bola. Quem está com o Kléber?

A torcida sabe que o Campeonato Brasileiro é o mais disputado do mundo, mesmo que nivelado por baixo, e que qualquer ponto faz a diferença ao fim das trinta e oito rodadas. Uma vitória diante do Vasco, neste domingo, no Engenhão, recolocará o time no rumo certo e trará a confiança necessária para o confronto contra o Atlético-PR, na Arena da Baixada, pela sexta e penúltima rodada antes da paralisação para a Copa do Mundo.

Vamos comparecer em peso ao Engenhão e empurrar a equipe para mais uma vitória! Podemos acabar essa fase inicial, antes da Copa, na liderança do Brasileirão e não se esqueçam:

– Tem coisas que só acontecem com o Botafogo!

Herrera deve retornar para a partida contra o Vasco no Engenhão

Ficha Técnica:

3ª Rodada: Botafogo 3 x 0 Goiás (23/05/2010)

Botafogo: Jefferson, Fahel, Antônio Carlos e Fábio Ferreira; Alessandro, Leandro Guerreiro, Sandro Silva (Edno), Lucio Flavio (Renato) e Somália; Caio e Herrera.

Técnico: Joel Santana.

Goiás: Fábio, Rafael Tolói, Augusto (Rafael Moura) e Marcão (Ernando); Wendel Santos, Jonilson, Amaral, Hugo (Rodrigo Callasa), Bernardo, Wellington Saci; Éverton Santos.

Técnico: Emerson Leão.

Gols do Botafogo: Lucio Flavio aos 40 e Somália aos 42 minutos do primeiro tempo; Herrera aos 27 minutos da etapa final.

Local: Engenhão/RJ

Árbitro: Alísio Pena Júnior (MG)

Cartões Amarelos: Jonílson, Augusto e Rafael Tolói (Goiás); Antônio Carlos e Edno (Botafogo)

Cartão Vermelho: Fábio e Wellington Saci (Goiás); Caio e Herrera (Botafogo)

Crédito das fotos: Paulo Sérgio do Lancenet

4ª Rodada: Cruzeiro 1 x 0 Botafogo (26/05/2010)

Cruzeiro: Fábio, Jonathan, Gil, Leonardo Silva e Fernandinho; Fabinho (Elicarlos), Henrique, Marquinhos Paraná e Roger (Pedro Ken); Thiago Ribeiro (Guerrón) e Kleber.

Técnico: Adílson Batista.

Botafogo: Jefferson, Fahel, Antônio Carlos e Fábio Ferreira; Alessandro, Leandro Guerreiro, Sandro Silva (Alex), Lucio Flavio (Marcelo Cordeiro) e Somália; Edno e Renato (Diguinho).

Técnico: Joel Santana.

Gol do Cruzeiro: Thiago Ribeiro aos dezoito minutos do primeiro tempo.

Local: Mineirão/MG

Árbitro: Jaílson Macedo Freitas (BA)

Cartões Amarelos: Fernandinho, Kleber, Gil, Leonardo Silva e Guerrón (Cruzeiro); Fábio Ferreira e Diguinho (Botafogo).

Crédito das fotos: Ramon Bittencourt do Lancent

Obediência tática e talento para ser campeão

22/05/2010

O técnico José Mourinho levou o limitado elenco da Internazionale de Milão à conquista da Liga dos Campeões e ainda conseguiu a inédita tríplice coroa européia para um time italiano, já que antes havia faturado a Copa da Itália e o Campeonato Italiano. Os grandes favoritos como Real Madrid, Barcelona, Chelsea e Manchester United foram caindo pelo caminho enquanto a Inter seguia firme até a final.

O diferencial da equipe de Milão foi o padrão tático adotado por Mourinho, a entrega de seus jogadores e a incrível estrela do artilheiro Diego Milito – foram dele todos os gols nas duas finais e na rodada decisiva do italiano contra o Siena. Milito fez o gol da vitória de 1 a 0 sobre a Roma na final da Copa da Itália e marcou os dois tentos na grande decisão da Champions League temporada 2009/2010 sobre o favorito Bayern de Munique.

Diego Milito foi eleito o melhor jogador da final da Champions League

Chamado de retranqueiro por parte da imprensa italiana, José Mourinho respondeu aos críticos com títulos. Ciente que não tinha o melhor elenco em mãos, Mourinho armou a Internazionale para jogar nos contra-ataques e criou uma defesa quase intransponível. Lúcio, Samuel, Maicon, Chivu, Zanetti e Cambiasso formaram um muro de proteção diante da meta de Júlio César. Do meio pra frente, com toques curtos e rápidos, Sneijder e Pandev chegavam com perigo ao gol adversário em tabelas com Diego Milito e Samuel Eto’o.

A campanha até a grande final mostra que o título foi mais do merecido, foi incontestável. Na fase de grupos, a Inter se classificou em segundo lugar com nove pontos – duas vitórias, três empates e apenas uma derrota para o poderoso Barcelona de Lionel Messi por 2 a 0. O time ainda não apresentava o equilíbrio entre ataque e defesa que surpreendeu os favoritos no mata-mata: foram seis gols sofridos em seis jogos e apenas sete gols anotados.

Sacrificado pelo esquema tático, Eto'o foi recuado para ajudar na marcação

Nas oitavas-de-final, o primeiro grande desafio contra o Chelsea de Michael Ballack, Frank Lampard e Didier Drogba. A zebra correu solta no Stamford Bridge e a vitória por 2 a 1, fora de casa, deixou a classificação encaminhada. Os dois triunfos sobre o Chelsea chamaram a atenção da imprensa, dos adversários e trouxeram segurança e tranquilidade para a equipe. O CSKA Moscou foi a próxima vítima do estilo de jogo armado por Mourinho e novamente a classificação foi assegurada com duas vitórias.

Quem apostaria que o Barcelona de Messi, Ibrahimovic e Daniel Alves seria eliminado antes da final e pelo limitado time de Mourinho? Apesar da boa vitória por 3 a 1, no primeiro confronto em casa, até os mais fanáticos torcedores temiam enfrentar o Barcelona no Camp Nou. No jogo de ataque contra defesa, a disposição tática da Inter superou a técnica do Barça e a derrota por 1 a 0 foi suficiente para garantir a vaga na final contra o Bayern de Munique.

José Mourinho deu adeus aos torcedores da Inter

José Mourinho, o grande arquiteto da conquista, está de saída e o destino deverá ser mesmo o Real Madrid de Kaká e Cristiano Ronaldo. Diego Mitito, Lúcio, Maicon, Júlio César e Samuel Eto’o voltam o pensamento para a Copa do Mundo na África do Sul, mas com o Mundial de Clubes da Fifa em foco. Maicon interessa ao time madrileno, mas afirma que o desejo é continuar no clube:

– Eu fico na Inter, pois tenho contrato até 2014. Apesar do frio de Milão, eu me sinto bem. Ainda tenho muitas competições para disputar, como Mundial de Clubes e Supercopa Européia. O Mundial é um titulo que falta para o clube e é uma oportunidade de fazer história. Quero sair por cima – prometeu o lateral na coletiva de imprensa após a conquista.

Maicon quer ser campeão do mundo com a seleção e com a Inter

Ficha técnica:

Bayern de Munique 0 x 2 Inter de Milão (22/05/2010)

Bayern de Munique: Butt, Lahm, Demichelis, Van Buyten e Badstuber; Van Bommel, Schweinsteiger, Robben, Müller e Altintop (Klose); Olic (Mario Gomez).

Técnico: Louis Van Gaal.

Internazionale: Julio César, Maicon, Lúcio, Samuel e Chivu (Stankovic); Cambiasso, Zannetti e Sneijder; Eto’o, Pandev (Muntari) e Milito (Materazzi).

Técnico: José Mourinho

Gols: Milito, aos 34 minutos do primeiro tempo e aos 25 minutos do segundo tempo.

Local: Santiago Bernabéu, Madri (ESP).

Árbitro: Howard Webb (Inglaterra)

Cartões amarelos: Demichellis e Van Bommel (Bayern); Chivu (Inter)

Auxiliares: Michael Mullarkey e Darren Cann (Inglaterra)

Lúcio deu o troco em Van Gaal após ser dispensado na temporada passada

Dois jogos, quatro gols e uma zaga fumegante

17/05/2010

O Botafogo, sem desfalques, enfrentou um misto santista e sofreu para pontuar na estréia do Brasileirão. O empate em 3 a 3 com o Santos de Neymar, na primeira rodada do Campeonato Brasileiro, em pleno Engenhão, foi encarado como péssimo resultado pela imprensa esportiva e até pelo técnico Joel Santana que relevou sua decepção ao site do clube:

– Esse resultado foi mais ruim do que bom. Foi ruim para os dois. Para quem pretende alguma coisa no Brasileiro, o empate nunca é bom. Os times que venceram na rodada já estão com a vantagem de dois pontos sobre o Botafogo e o Santos.

Animado com a conquista do título estadual, o Glorioso partiu para o ataque e o gol de Antônio Carlos, aos nove minutos da etapa inicial, encheu a torcida de esperanças, mas o campeão paulista, mesmo sem Robinho e Paulo Henrique Ganso, conseguiu a virada em dois lances seguidos.

O zagueiro Antônio Carlos faz o primeiro gol do Brasileirão 2010

Os gols de Neymar e André no primeiro tempo revelaram a fragilidade da defesa botafoguense. Aos 29 minutos, Alex Sandro se desvencilhou de Alessandro, cortou para o meio e empurrou para Marquinhos que, mesmo cercado por volantes, entrou na área e tocou para Neymar, livre na pequena área, empatar o jogo.

Como pode o Neymar, garoto sensação do momento, ficar livre na pequena área? E isso acontecer num esquema de três zagueiros? Quem estava na sobra? Quem deveria colar no Neymar? Não tinha marcação individual? Perguntas aparentemente sem respostas.

Jefferson desolado com os zagueiros após o gol de Neymar

A torcida ainda cantava incentivando o time após o empate, quando aos 32 minutos, Alessandro tenta subir ao ataque, é cercado, luta pela bola uma, duas vezes até perder a jogada e armar o contra-ataque santista que seria ineficiente se Somália, fora de posição e completamente estabanado, não interceptasse o lançamento equivocado de Marquinhos e entregasse a bola nos pés de André.

Somália, volante de origem, destro e improvisado como lateral-esquerdo, abandonou qualquer noção tática e correu até a entrada da área para cortar um passe que possivelmente sairia pelo lado do campo. Estréia desastrosa do volante-lateral na Série A.

Somália, sentado, ajeita as meias para não encarar os companheiros

A partida seguia equilibrada na etapa final, os dois lados pareciam satisfeitos com o empate e pouco arriscavam no ataque quando nova falha da zaga carioca entregou ao Santos o terceiro gol. Aos 34 minutos, Zé Eduardo, que entrou no lugar de Neymar, cabeceou livre, na pequena área, para desespero de Jefferson.

Zagueiros e volantes, com a mão na cintura, aguentaram a bronca do goleiro e dos 25 mil torcedores que foram ao Engenhão apoiar o time – maior público da 1ª rodada do Campeonato Brasileiro. Zé Eduardo, que tem 1,79, ainda precisou se abaixar para escorar o cruzamento da direita.

Alessandro não achou o Zé Eduardo no lance do gol, mas saiu na foto

A vitória sobre o São Paulo, neste domingo, no Morumbi, por 2 a 1, quebrou um tabu de 15 anos, mas o gol de cabeça de Léo Lima, antes dos dez minutos de jogo, parecia um sinal de que uma goleada seria inevitável. Era possível pensar que a defesa alvinegra iria segurar o ataque paulista?

O Tricolor tinha o Washington na área, centroavante trombador e bom de jogada aérea, e o Jorge Wagner para fazer os cruzamentos, mas para surpresa geral, Antônio Carlos, Fábio Ferreira e Fahel conseguiram anular a ponte aérea são-paulina e as jogadas laterais foram barradas por Alessandro e Somália.

Léo Lima, sem marcação, abre o placar no Morumbi

O time de Joel joga com três zagueiros, três volantes e os laterais ficam presos a marcação, ou seja, uma equipe com oito jogadores defensivos que formaria uma retranca impenetrável, certo? O ataque do Santos mostrou que quantidade não é qualidade. Na segunda rodada, o São Paulo não encontrou a mesma facilidade, mas ainda é cedo para acreditar que os erros do sistema defensivo foram resolvidos com apenas uma semana de treinamentos.

Papai Joel vai precisar de muita paciência para corrigir os erros infantis da defesa. Os zagueiros não se decidem na hora de fazer a sobra, os volantes não acompanham os meias adversários e os laterais tem a terrível mania de buscar o jogo no meio de campo. A equipe não consegue manter as duas linhas defensivas imaginadas pelo treinador e que são características do futebol italiano – falta a famosa obediência tática.

Vale esperar para ver como o Botafogo se comporta em casa, tendo a obrigação de sair para o jogo e cedendo espaços para o contra-ataque adversário. O Goiás ainda não pontuou na competição e é o lanterninha. O time do técnico Emerson Leão perdeu fora, de 1 a 0, para o Guarani e  em casa, de virada, por 3 a 2, para os reservas do Internacional. Adversário perfeito para o Fogão embalar de vez ou pedra no sapato? Resposta: sábado, 18:30 h, no Engenhão.

Fahel e Antônio Carlos impedem mais um ataque tricolor

Ficha Técnica:

1ª Rodada: Botafogo 3 x 3 Santos (08/05/2010)

Botafogo: Jefferson, Fahel, Antônio Carlos e Fábio Ferreira; Alessandro (Marcelo Cordeiro), Leandro Guerreiro, Túlio Souza (Edno), Renato (Caio) e Somália; Loco Abreu e Herrera. Técnico: Joel Santana.

Santos: Felipe, Maranhão, Bruno Aguiar, Durval e Alex Sandro; Roberto Brum (Rodrigo Mancha), Wesley e Marquinhos; André, Neymar (Zé Eduardo) e Madson (Breitner). Técnico: Dorival Júnior.

Gols do Botafogo: Antônio Carlos aos nove e aos 45 minutos do primeiro tempo e Herrera aos 43 do segundo tempo.

Gols do Santos: Neymar aos 29 minutos e André aos 32 do primeiro tempo e Zé Eduardo aos 34 do segundo tempo.

Local: Engenhão/RJ

Árbitro: Leonardo Gaciba (RS)

Cartões Amarelos: Zé Eduardo (Santos) e Herrera (Botafogo)

Cartão Vermelho: Alex Sandro (Santos)

Crédito das fotos: Cleber Mendes do Lancenet

2ª Rodada: São Paulo 1 x 2 Botafogo (16/05/2010)

São Paulo: Rogério Ceni, Alex Silva, Renato Silva e Richarlyson; Wellington (Cicinho), Jean, Cléber Santana, Léo Lima e Jorge Wagner; Washington (Fernandinho) e Marcelinho Paraíba (Marlos).

Técnico: Ricardo Gomes.

Botafogo: Jefferson, Fahel, Antônio Carlos e Fábio Ferreira; Alessandro (Marcelo Cordeiro), Leandro Guerreiro, Sandro Silva (Edno), Lucio Flavio (Renato) e Somália; Caio e Herrera.

Técnico: Joel Santana.

Gol do São Paulo: Léo Lima aos oito minutos do primeiro tempo.

Gols do Botafogo: Antônio Carlos aos 27 minutos do primeiro tempo e Renato aos 42 do segundo tempo.

Local: Morumbi/SP

Árbitro: Sandro Meira Ricci (DF)

Cartões Amarelos: Alex Silva, Richarlyson, Cicinho e Marcelinho Paraíba (São Paulo); Antônio Carlos (Botafogo)

Crédito das fotos: Gustavo Tilio do Lancenet

O Botafogo e a Copa do Mundo de 1934

16/05/2010

A Itália foi a sede da segunda edição da Copa do Mundo em 1934. Ao invés de convite, como no primeiro mundial, dessa vez a Fifa instituiu uma fase classificatória para definir as dezesseis equipes que disputariam o torneio. A Europa ficou com doze vagas, a América do Sul duas, América do Norte uma e apenas o Egito representou o continente africano.

Com lugar garantido, o Uruguai, campeão em 1930, se negou a jogar na Europa em represália ao boicote europeu ao mundial da América do Sul quando apenas quatro seleções européias entraram em campo: Bélgica, França, Iugoslávia e Romênia. A Itália precisou encarar as eliminatórias para confirmar presença no evento, foi a única vez que a seleção do país-sede teve que jogar para se classificar.

A Copa do Mundo de 34 foi marcada pela polêmica. O regime fascista de Benito Mussolini transformou o evento em propaganda pró-governo e a vitória da Itália representaria mais do que uma simples conquista esportiva. Arbitragens suspeitas levaram os italianos para a grande final que aconteceu no Estádio Olímpico de Roma. Mussolini, acompanhado de 50 mil pessoas, assistiu a Angelo Schiavio, na prorrogação, marcar o gol que daria aos italianos seu primeiro título mundial: Itália 2×1 na Tchecoslováquia.

A história do Brasil na Copa de 34 foi curta. A seleção se classificou sem calçar as chuteiras graças à desistência do Peru, mas quando precisou jogar decepcionou. No dia 27 de maio, na cidade de Gênova, os brasileiros perderam por 3×1 para a Espanha e pegaram o navio de volta para casa. Leônidas da Silva anotou o tento verde e amarelo. Com apenas uma partida disputada, a seleção amarga uma das piores colocações em mundiais: 14º lugar entre 16 equipes.

O Botafogo cedeu nove jogadores para o selecionado daquele ano: o goleiro Pedrosa, o zagueiro Octacílio, além de Ariel, Canalli, Martim Silveira e Waldir para o meio campo, os atacantes Átila, Patesko e Carvalho Leite completam a relação.

Em pé: Carvalho Leite, Álvaro, Martin, André, Leônidas da Silva, Russinho, Patesko e M. Costa. Agachados: Octacílio, Alberto, Nariz, Canalli e Afonso.

Em 1934, o Alvinegro conquistava o terceiro título carioca seguido e tinha um ataque poderoso que infernizava as defesas adversárias. Patesko era considerado o melhor ponta-esquerda da época e foi convocado diversas vezes para a seleção. O atacante foi vice-campeão do Sul-Americano de 1937 e fez parte do selecionado que conseguiu o terceiro lugar na Copa do Mundo de 1938.

O Botafogo e a Copa do Mundo de 1930

14/05/2010

O Botafogo de Futebol e Regatas é o clube que mais cedeu jogadores para a seleção brasileira em edições de Copa do Mundo. Todos sabem disso, até criança no jardim de infância já ouviu essa máxima do nosso futebol, mas uma empresa de comunicação – que prima pela isenção de seus jornalistas – catou daqui, somou dali, tirou os nove fora e arrumou um jeitinho de botar o clube da Gávea na jogada.

Eles alegam que somando todas as convocações, incluindo amistosos sem sentido e até jogo de botão, o clube da lagoa leva vantagem. Pois bem, estamos falando em Copa do Mundo e não em torneio de amadores. Em jogos de Copa do Mundo, no famoso “Vamô vê de verdade”, onde se separa os meninos dos homens, bem, nesse caso só dá Botafogo.

Com o reforço de três botafoguenses, seleção bate a Iugoslávia em amistoso

A primeira Copa do Mundo foi disputada em 1930 no Uruguai, entre os dias 13 e 30 de julho, e a seleção não passou da primeira fase. O Brasil estava no Grupo 2 com Iugoslávia e Bolívia. A estréia em mundiais aconteceu no dia 14 de julho e foi com derrota: 2×1 para a Iugoslávia, gol de Preguinho. A vitória por 4×0 sobre a Bolívia, gols de Moderato (2) e Preguinho (2), no dia 20 de julho, não trouxe a classificação, já que os iugoslavos também venceram esse duelo. O selecionado brasileiro terminou o primeiro mundial na sexta colocação.

Uma briga entre paulistas e cariocas enfraqueceu o selecionado que contava com apenas um paulista: Arakem do São Paulo. Nesse mundial, o Botafogo foi representado por quatro jogadores: o zagueiro Benedicto, o meio campo Pamplona e os atacantes Nilo e Carvalho Leite.

Pamplona e Benedicto fizeram parte da geração vitoriosa da década de 30, quando o Alvinegro carioca venceu cinco estaduais, incluindo o tetra campeonato carioca em 32-33-34-35. As quatro estrelas que o Botafogo ostentava, bordados acima do escudo, faziam referência a esses títulos.

Nilo é o quinto maior artilheiro da história do clube com 190 gols em 201 partidas (uma média altíssima de 0,94 gol/jogo) e também participou da conquista do tetra carioca, sendo o goleador máximo da competição de 1932 com 19 gols.

Carvalho Leite foi o primeiro grande ídolo da história do Botafogo Football Club e, como Nílton Santos, só vestiu a camisa alvinegra e a da seleção brasileira. Foram onze anos servindo ao Glorioso, entre 1930 e 1941, muitos títulos, e 273 gols marcados em 326 jogos (média de 0,83 gol/jogo).

Botafogo lança uniforme 2010

11/05/2010

Belo uniforme, belo cenário: Tu és o Glorioso!

O Botafogo lançou ontem, no Rio de Janeiro, os novos uniformes para a temporada 2010. A festa não foi no Palacete de General Severiano e sim na Baía de Guanabara, a bordo do iate Pink Fleet que pertence ao milionário alvinegro Eike Batista. Joel Santana e o ídolo Maurício, herói do título Carioca de 89, também estiveram no evento. Os jogadores Herrera, Sandro Silva, Fábio Ferreira, Jeferson, Renan, Luis Guilherme, Alex e Alessandro foram escolhidos pela diretoria para participar do lançamento.

O uniforme principal, o alvinegro, foi inspirado no modelo utilizado por Roberto Miranda, Rogério, Jairzinho, Gérson, Afonsinho e Paulo Cézar Lima na conquista do famoso “BiBi” no final da década de 60. A selefogo foi Bicampeã da Taça Guanabara 67/68, que era uma competição isolada do estadual na época, e também se sagrou Bicampeã Carioca 67/68. O timaço alvinegro ainda venceu a Taça Brasil 68, fechando a década mais gloriosa do futebol de General Severiano.

Ídolos do presente buscam as glórias da década de 60

A inscrição “O Glorioso“, apelido recebido após o histórico título de 1910 e que está fazendo 100 anos, aparece bordado na parte de trás da camisa, logo abaixo da gola. Passado e presente apontando para o futuro. A camisa já pode ser encontrada na loja oficial do clube por R$ 159,00 e o torcedor pode mandar imprimir a numeração escolhida na hora.

As camisas dos goleiros também serão uma atração à parte neste Campeonato Brasileiro e a cor escolhida para representar o nº1 alvinegro é o cinza. Até a década de 70 os goleiros só podiam utilizar o preto e o cinza em suas camisas e o folclórico guarda-metas Manga fechava o gol do Botafogo vestindo uma camisa negra que lembrava a do lendário arqueiro Lev Yashin, o Aranha Negra.

O paredão Jeferson e a nova camisa 1 do Botafogo

Além dos três uniformes de jogo, foram apresentados dois modelos para os uniformes de treino e o modelo cinza, utilizado pelo jovem atacante Alex, chamou a atenção pela beleza e harmonia.

História, tradição e glórias não faltam ao passado da Estrela Solitária, resta saber se Herrera, Jeferson, Alessandro e Fábio Ferreira honrarão essa camisa da mesma forma que os times campeões da década de 60 fizeram.

Ao lado de Joel, Alex e Alessandro mostram os uniformes de treino

Pelé Eterno

07/05/2010

Em ano de Copa do Mundo a polêmica é a mesma: a seleção não é a ideal, o Brasil tem que entrar como favorito, surge aquele craque de última hora e sempre tem o Pelé dando opinião sobre tudo e sobre todos. E se é para falar de Pelé, bem, eu prefiro falar do jogador Pelé e não do comentarista Pelé, pois como definiu Romário: “O Pelé calado é um poeta.”

O documentário Pelé Eterno de Aníbal Massaini foi lançado nos cinemas em 2004 e vendeu a ideia de ser o filme definitivo sobre o Rei do Futebol, mas passa longe disso. A abertura extremamente brega já anunciava o estilo de condução do filme. Existem 1001 maneiras de se fazer uma abertura de um documentário sobre Pelé, e não é que eles escolheram justamente a que não deveria ser sequer cogitada!

Outro ponto negativo foi a escolha dos entrevistados. Poucos craques falaram, poucos jornalistas esportivos foram procurados, e até grandes jogadores de hoje ficaram de fora. Nilton Santos, Zico, Juca Kfouri, Bebeto, Zagallo, Carlos Alberto Parreira, Ronaldo, o que eles diriam sobre Pelé? Vamos ficar sem saber.

O Rei e a querida Jules Rimet

Assisti ao filme nos cinemas, as jogadas de Pelé ficam sensacionais na tela grande, e comprei o DVD, mas nunca coloquei no meu aparelho para tocar. Esse é o tipo de filme que deve ser visto com os amigos (que gostem de futebol, é claro!), regado a cervejinha e muita discussão.

Quem era melhor, Pelé ou Garrincha? O Pelé marcaria mil gols hoje em dia? A preparação física tornou o futebol previsível? Onde estão os pontas que encantaram gerações?

Claro que essas questões não aparecem no filme de Massaini, que é centrado na figura de Pelé, mas estão por ali, rondando como pano de fundo entre os golaços inesquecíveis. É uma pena que o diretor não tenha fugido um pouco dessa linha, pois em alguns momentos ficamos com a impressão de ver um grande institucional pago pelo Edson Arantes do Nascimento.

Para falar do camisa 10 do Santos temos que contextualizar o futebol da época e para isso seria preciso falar dos craques que ajudaram o menino de Bauru a se transformar no Atleta do Século.

Menino Edson assinando um pré-contrato?

Na Copa de 58 os gols de Vavá, os lançamentos de Didi, a técnica de Nilton Santos e os dribles de Mané foram tão importantes quantos os gols de Pelé. Didi foi eleito o Craque da Copa e recebeu o apelido de Mr. Football pela imprensa internacional.

A Copa de 62 foi ganha sem Pelé. Dizem que Mané Garrincha só faltou fazer chover nesse mundial. A base era a mesma daquela equipe que encantou a Suécia em 58: Djalma Santos, Nilton Santos, Zito, Didi, Zagallo, Vavá, Mané e Amarildo no lugar do Rei.

Até mesmo o Santos jogou a final do Mundial Interclubes, em 63, contra o Milan sem Pelé. E venceu duas partidas aqui no Maracanã. Nada disso apaga o valor das diversas condecorações que Pelé recebeu. Ele é o maior jogador de futebol de todos os tempos, ele é o Atleta do Século. Mas ele não chegou lá sozinho e sabe disso.

Bola na rede e o famoso soco no ar

Pelé Eterno é obrigatório. Obrigatório para a nova geração que acha Romário-melhor-que-Pelé, obrigatório para os jovens da década de 60 matarem a saudade do Rei, e ainda obrigatório para estudantes de cinema. Ah, como eu gostaria de editar os gols do Pelé. Na verdade não é preciso criar muito, ele já fez isso. As jogadas são tão cinematográficas que parecem ensaiadas.

Vendo as imagens em preto e branco, desgastadas, sujas, arranhadas, não resta dúvida! Não existe e não vai existir outro jogador como Pelé. É fato. E antes que pensem em Maradona… Vou terminar com uma frase do próprio Pelé: “Antes do Maradona chegar ao Pelé ele vai ter que pedir licença aos outros craques inquestionáveis do nosso futebol. Primeiro ao Mané, depois vem o Didi, aí o Leônidas…”.

Pelé Eterno

Brasil, 2004, 120 min

Direção: Aníbal Massaini

Botafogo domina a Seleção Carioca 2010!

04/05/2010

A noite foi de festa alvinegra! A Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) divulgou nesta segunda-feira, 03 de maio, a Seleção do Campeonato Carioca, premiou os melhores em cada posição e, finalmente, entregou ao Botafogo, legítimo e incontestável dono, o troféu de Campeão Carioca 2010.

O Botafogo foi o time que recebeu mais indicações, foram dez no total, e confirmou o favoritismo vencendo em cinco categorias, além de ter o Melhor Técnico, Joel Santana, a Revelação do Estadual, o jovem Caio, e o Craque do Carioca, o goleiro Jefferson. A Ferj entregou aos atletas selecionados pelo júri os troféus de Ouro, Prata e Bronze.

Jefferson, o melhor goleiro do estadual

Logo no início o predomínio alvinegro já se manifestava com os prêmios para a defesa, foram três ao todo: Jefferson, Melhor Goleiro, Fábio Ferreira, Melhor Zagueiro 1, e Marcelo Cordeiro, Melhor Lateral Esquerdo. Perdemos em duas posições: Alessandro ficou com o Bronze pela atuação como lateral direito e Antônio Carlos levou a Prata pela zaga central.

No meio-campo foram três indicações: o capitão Leandro Guerreiro foi eleito o Melhor Volante 1, sendo que Somália ficou com o Bronze na mesma categoria, e o atacante Caio concorreu como meia-direita, mas ficou com a Prata. Mas quem disse que o Talismã saiu da festa triste? Caio ganhou o prêmio de Revelação do Campeonato.

O capitão ergue mais um troféu!

O “ataque mercosul” do Fogão esteve presente e Herrera venceu como Melhor Atacante 1. Pena que escolheram um integrante do ex-Império do Amor e deixaram El Loco Abreu de lado, mas o uruguaio além de levar o Troféu de Prata ainda ficará para sempre na história do Maracanã com o pênalti na final.

A cereja do bolo alvinegro veio com a escolha de Jefferson como Craque do Carioca! Além de ser um dos líderes do grupo, o goleiro foi responsável direto pela conquista ao defender um pênalti aos trinta minutos do segundo tempo.

– Estou realmente surpreso com tudo isso. Tenho que agradecer a Deus. É a concretização de um trabalho depois da passagem pela Turquia e do meu retorno ao Botafogo. É o melhor momento da minha carreira, mas vou me empenhar para que venham muitos outros títulos e prêmios.”, disse o goleiro ao site oficial do clube.

Botafogo campeão de tudo: Taça Guanabara, Taça Rio e Carioca 2010

O Botafogo encerra as comemorações do título carioca que contaram ainda com dois amistosos contra Corinthians, vitória no Engenhão por 3×1, e Coritiba, empate no Couto Pereira por 2×2, e volta as atenções para a estréia no Campeonato Brasileiro, no próximo sábado, dia 08 de maio, contra o Santos, campeão paulista, no Engenhão.